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Base do PT recorrerá ao STF contra derrubada de veto de Lula ao PL da Dosimetria

Parlamentares questionam constitucionalidade de manobra no Congresso e buscam anular decisão que reduz penas para condenados dos atos de 8 de janeiro.

Sputinik Brasil 01/05/2026
Base do PT recorrerá ao STF contra derrubada de veto de Lula ao PL da Dosimetria
Parlamentares do PT anunciam recurso ao STF contra derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria. - Foto: © Foto / Jonas Pereira

Parlamentares do PT consideram inconstitucional a estratégia adotada no Congresso para fatiar e derrubar o veto presidencial.

A base do Partido dos Trabalhadores (PT) no Congresso Nacional anunciou que irá protocolar uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Projeto de Lei 2162/2023, conhecido como PL da Dosimetria. O projeto prevê a redução das penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O anúncio foi feito pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), durante coletiva à imprensa logo após a decisão do Congresso. Segundo Uczai, a judicialização será conduzida por ele próprio e pelo deputado Lindberg Farias (PT-RJ).

“A gente tem a leitura de que é inconstitucional e nós já estamos avaliando a possibilidade de judicializar”, afirmou Uczai.

O PL da Dosimetria, aprovado pelo Senado em dezembro do ano passado, reduz penas e tempo de progressão de regime para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito, abrangendo casos além dos atos do 8 de Janeiro.

Após aprovação no Senado, o projeto foi integralmente vetado por Lula, que alertou para o risco de incentivo ao aumento de crimes contra a ordem democrática. Contudo, em sessão conjunta do Congresso realizada na sexta-feira (30), 318 deputados e 49 senadores votaram pela derrubada do veto presidencial.

Antes da votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), optou por dividir a análise do veto, numa manobra que, segundo a base governista, visava evitar conflito com o PL Antifacção — este último, responsável por endurecer regras para progressão de pena. O governo alega que esse fatiamento é inconstitucional.

Lindberg Farias reforçou que “uma lei abstrata e geral não pode nascer com desvio de finalidade para beneficiar pessoas determinadas”. Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, classificou a medida como um “grave retrocesso para a democracia”.

“Aliviar a punição de crimes dessa natureza é ignorar a gravidade da tentativa de ruptura institucional”, declarou Silva.

Se a ação for acolhida pelo STF, caberá à Corte decidir se a derrubada do veto está em conformidade com a Constituição. Caso contrário, a lei poderá ser anulada.