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Governo Trump diz que cessar-fogo suspendeu prazo de 60 dias da guerra

Internacional, Conflito no Oriente Médio, Estados Unidos, Donald Trump, guerra

01/05/2026
Governo Trump diz que cessar-fogo suspendeu prazo de 60 dias da guerra

O prazo de 60 dias para promover uma guerra sem autorização do Congresso dos Estados Unidos (EUA) termina nesta sexta-feira (1) e o governo de Donald Trump alega que o conflito com o Irã está suspenso, uma vez que foi negociado um cessar-fogo no dia 7 de abril.

A explicação é do secretário de Defesa do país, Pete Hegseth, em audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado, onde o representante da Casa Branca compareceu nesta quinta-feira (30).

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“Estamos em um cessar-fogo neste momento, o que, segundo nosso entendimento, significa que o prazo de 60 dias fica suspenso ou interrompido durante um cessar-fogo”, disse Hegseth.

O prazo de 60 dias que termina hoje pode ser prorrogado por mais 30 dias, caso o presidente demonstre o Legislativo por escrito que há uma “necessidade militar resolvida em relação à segurança das Forças Armadas dos EUA”, segundo a Resolução dos Poderes de Guerra dos EUA , de 1973.

O senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, questionou o argumento da Casa Branca, dizendo que o prazo termina nesta sexta-feira.  

“Penso que o prazo de 60 dias termina na sexta, e isso vai representar uma questão jurídica muito importante para o governo”, respondeu o senador da oposição.

Os parlamentares democratas, e alguns republicanos, têm a obrigação de cobrar que o governo peça a prorrogação da guerra e justifique esse pedido.

Pelo menos seis tentativas de barrar o conflito foram rejeitadas no Congresso pela maioria republicana, que segue dando cobertura para a guerra de Trump no Oriente Médio.

O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson (republicano da Louisiana), afirmou na quinta-feira que os EUA “não estão em guerra” com o Irã.

"Não acredito que tenhamos um bombardeio militar ativo, disparos ou algo do gênero. No momento, estamos tentando negociar a paz", disse Johnson à emissora NBC News.

Judicialização

O professor de história da Universidade de Brown, dos EUA, James N. Green, disse à Agência Brasil que vários juristas questionaram essa interpretação do governo e que a questão deve ser judicializada até chegar à Suprema Corte, de maioria conservadora.

“Pode ser que a Suprema Corte decida a favor de Trump, mas isso, mais uma vez, fortalece o sentimento antiguerra, que é a bandeira dos democratas, e reforça suas possibilidades de vitórias imensas nas eleições de novembro”, disse o especialista.

Os EUA vão às urnas em novembro para eleger uma nova Câmara e parte do Senado, o que pode tirar a pequena maioria que Trump mantém hoje nas duas casas.

O professor Green acrescentou que, apesar dos republicanos seguirem dando apoio a Trump, cresce a insatisfação dentro do partido do presidente devido à impopularidade da guerra e ao aumento do preço dos combustíveis, motivada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.

“A senadora republicana Susan Collins mudou de opinião e votou agora a favor dessa restrição dos poderes presidenciais porque ela tem medo de perder as eleições no Maine, para o Senado, em novembro”, destacou o historiador, que também preside o Washington Brazil Office (WBO).

Na sessão do Senado desta quinta-feira – que rejeitou mais uma tentativa de desbloquear os poderes de guerra de Trump –, Collins se uniu ao senador republicano Rand Paulo, do Kentucky, divergindo da liderança do partido de Trump. A resolução, porém, foi rejeitada por 50 votos contra 47.

Em audiência com o secretário de defesa, Pete Hegseth, o senador Collins afirmou que não há evidências de que os EUA estejam sob ameaça do Irã ou que estejam mais seguros por causa da guerra.

"Não temos nenhuma prova de que o Irã pretende atacar este país imediatamente, de qualquer forma. Portanto, discordo da sua avaliação de que estamos sob ameaça", disse a senadora republicana.

Opinião pública

Pesquisas de opinião dos EUA estimam que mais de 60% da população é contra a guerra no Irã. O professor James N. Green explicou que as pessoas estão “apavoradas” com o preço dos combustíveis.

“A sociedade americana, infelizmente, depende do carro, e muitas pessoas, inclusive trabalhadores, trabalham longe do seu emprego e precisam de carro para chegar e estão gastando uma fortuna para encher um tanque de gasolina nesse momento”, mencionou.

A média do preço do galão nos EUA estava em US$ 4,39 nesta sexta-feira, segundo o portal especializado AAA Fuel Prices. O valor representa aumento de 34% em relação ao mesmo período do ano passado, com o galão chegando a custar US$ 6,06 na Califórnia.  

“Os preços da gasolina atingiram seu nível mais alto em quatro anos, visto pela última vez no final de julho de 2022”, diz a publicação estadunidense.