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Iraniana vencedora do Nobel da Paz está sem tratamento após sofrer enfarte na prisão
Ativista Narges Mohammadi, detida por críticas ao regime do Irã, enfrenta quadro grave de saúde e não recebe cuidados adequados, segundo familiares e advogados.
Narges Mohammadi , ativista iraniano e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2023, perdeu 20 kg e permanece sem tratamento médico adequado após sofrer um enfarte enquanto cumpre pena na prisão. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira, 29, pela Fundação Narges.
Segundo a instituição, a defesa de Narges solicita ao Ministério Público de Teerã a suspensão condicional da pena por um mês, permitindo que ela receba cuidados médicos cardíacos especializados. O pedido, no entanto, foi negado, mesmo após o Instituto Médico Legal de Zanjan confirmar a necessidade de licença médica de pelo menos um mês.
O procurador-geral adjunto de Teerã alegou à família do ativista que a cidade de Zanjan dispõe de estrutura suficiente para o tratamento, descartando a transferência para o Hospital Pars, em Teerã. Familiares, porém, afirmam que dois cardiologistas já atestaram a incapacidade dos hospitais locais para realizar o procedimento e garantir os cuidados pós-operatórios necessários. Narges já passou por três angioplastias nos últimos anos, o que aumenta o risco do quadro clínico.
De acordo com a Fundação Narges, um ativista sofreu uma crise cardíaca grave na última sexta-feira, 24, com sintomas como dor torácica persistente e perda de consciência, indicando um enfarte.
Após visita da equipe jurídica na terça-feira, 28, foi constatado que o estado de saúde de Narges é considerado “crítico”. Ela apresenta pressão arterial elevada e não responde à medicação. Além dos problemas cardiovasculares, o ativista continua perdendo peso e sente dores torácicas constantes.
"Acordo todos os dias com o medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não fornecem descrever a devastação que nossa família está sentindo", relatou Hamidreza Mohammadi, irmão de Narges. "Isso não é mais apenas prisão; é uma morte em câmera lenta."
Hamidreza acrescentou: "Cada vez que Narges liga para nossa família da prisão de Zanjan, ela está mais fraca, mais magra e à beira da morte. Eles estão literalmente assistindo à vida dela se esvair e não fazem nada."
A Fundação Narges destacou ainda que, até que um ativista seja avaliado por sua equipe médica habitual e por especialistas, ela não deve ser submetida a novos medicamentos ou procedimentos.
Kiana Rahmani, filha de Narges e copresidente da Fundação, denunciou: "Mais de cento e trinta e oito dias de negligência médica levaram minha mãe à beira da morte. Nem minha mãe, nem qualquer prisioneiro de consciência, jamais deveria ser privado do direito fundamental à saúde."
Chirinne Ardakani, advogada da ativista, afirmou: "Essa negação de cuidados essenciais desrespeita o princípio da dignidade humana, direito de cada indivíduo segundo o direito internacional, e constitui um ato de tortura."
Narges Mohammadi foi preso em dezembro de 2025, após críticas ao governo iraniano, e específico para a Prisão Central de Zanjan, no noroeste do país. Em fevereiro, ela foi condenada a sete anos e seis meses de prisão. Ao longo de sua trajetória como defensora dos direitos das mulheres e opositora da pena de morte no Irã, Narges já foi presa em outras graças e passou, ao todo, mais de dez anos detida.
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