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PM faz nova operação contra gangue 'quebra-vidros' e tráfico de drogas em São Paulo
A Polícia Militar de São Paulo realiza nesta quinta-feira, 30, a Operação Impacto Media Urbs II, voltada ao combate aos roubos na modalidade "quebra-vidros", além do tráfico de drogas.
A ação mobiliza cerca de 900 policiais, com apoio de 290 viaturas, três blindados e uma aeronave. A operação também utiliza cães farejadores, drones e monitoramento em tempo real pelo Centro de Operações da PM (Copom), por meio do programa Olho de Águia, com foco em áreas mapeadas como críticas para esse tipo de crime.
Os "quebra-vidros" são uma das principais preocupações das forças de segurança. Nesse tipo de crime, criminosos quebram os vidros de veículos parados ou em trânsito para subtrair objetos de valor, principalmente celulares.
As investigações apontam para o uso de ferramentas como vídias de corte, pedras e até golpes com o cotovelo. Em alguns casos, há atuação coordenada com comparsas posicionados em pontos elevados, que indicam veículos com objetos visíveis no interior.
A PM afirma que esses crimes tendem a se concentrar em horários de maior circulação, como início da manhã e fim da tarde, além de períodos que antecedem ou sucedem fins de semana e feriados.
Neste ano, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), a cidade registrou queda de 15,7% nos roubos nos dois primeiros meses em relação ao mesmo período de 2024.
No período, foram 7.711 prisões ou apreensões e 458 armas de fogo retiradas de circulação. Ainda assim, o cenário não é homogêneo: bairros como Lapa e Vila Mariana apresentaram aumento de ocorrências, contrariando a tendência de redução.
Como mostrou o Radar da Criminalidade, ferramenta desenvolvida com exclusividade pelo Estadão, a Vila Mariana teve alta de 38% nos roubos e aumento de 110% nos furtos no primeiro bimestre do ano. Parte da variação está associada ao período do carnaval, realizado em fevereiro, mas também foram observados aumentos já em janeiro, indicando dispersão das ocorrências ao longo do tempo.
Vítimas da gangue
Relatos de vítimas mostram o impacto direto e recorrente dos roubos na modalidade "quebra-vidros" em diferentes regiões da capital paulista. A médica veterinária Letícia Figueiredo, de 29 anos, foi atacada em junho do ano passado na zona norte de São Paulo, quando voltava para casa com o marido.
A quebra do vidro lançou estilhaços dentro do veículo e ela acabou fraturando um dedo ao ficar presa no cinto de segurança. Letícia precisou passar por cirurgia e ficou com sequelas na mão. O celular não foi levado.
"Demorou um pouquinho para entender o que houve, o barulho do vidro foi muito grande", disse. Ela relata que os estilhaços atingiram rosto e roupas e que precisou de atendimento hospitalar imediato.
Em outro caso, uma advogada de 27 anos, que pediu para não ser identificada, foi surpreendida por um homem que quebrou o vidro do carro na Avenida Paulo VI, na zona oeste, enquanto ela segurava o celular. Ela conseguiu evitar o roubo, mas sofreu cortes com os estilhaços.
"Do absoluto nada, ele veio a pé e fez pá, com a mão mesmo", afirmou. Segundo ela, o criminoso tentou tomar o aparelho após quebrar o vidro.
Já o motorista de aplicativo Raphael Silva, de 32 anos, relatou ter presenciado um ataque na zona norte em fevereiro, quando o celular de uma passageira foi levado em segundos após o vidro ser quebrado. O caso o levou a abandonar a profissão.
"Foi muito rápido", disse. Ele ainda ajudou a vítima após o crime e relatou o impacto da violência na rotina de trabalho.
Famosos e autoridades também já foram alvos
Casos envolvendo os "quebra-vidros" também têm atingido figuras públicas em São Paulo nos últimos meses, segundo relatos feitos pelos próprios envolvidos em redes sociais.
O chef francês Érick Jacquin afirmou ter sido vítima do crime ao ter o celular levado após um assaltante quebrar a janela do táxi em que estava. Sem detalhar o local da ocorrência, ele comentou: "Infelizmente, isso faz parte do Brasil".
Em fevereiro, o músico Lucas Lima relatou situação semelhante quando seguia para o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo ele, um criminoso quebrou o vidro do táxi na tentativa de roubar seu celular, mas o artista conseguiu segurar o aparelho, embora tenha sofrido cortes leves durante a ação.
Já em março, a atriz Luisa Arraes contou ter sido alvo do mesmo tipo de abordagem em São Paulo. No caso, o vidro do veículo foi quebrado com uma pedra e o celular acabou sendo levado pelos assaltantes. Ela não informou o local exato nem registrou boletim de ocorrência.
Em episódio anterior, no fim de 2023, a deputada federal Tabata Amaral também foi vítima de ação semelhante na região central da capital. O veículo em que estava teve o vidro quebrado e o celular levado. Na ocasião, a parlamentar relatou ter sofrido ferimentos leves durante o ataque.
Além de celebridades e políticos, autoridades do sistema de Justiça também foram alvo. Em julho do ano passado, o procurador de Justiça Antônio Calil Filho foi vítima do mesmo tipo de crime no centro da capital. Após o roubo do celular, policiais rastrearam o aparelho até um imóvel no bairro do Glicério, na região central.
No local, segundo a polícia, foi identificado um "QG do crime", onde havia grande quantidade de celulares, máquinas de cartão, roteadores, chips e documentos de origem ilícita, indicando possível estrutura de receptação ligada aos roubos. (Colaborou Ítalo Lo Re)
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