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Ibovespa acumula quinta queda seguida e fecha em 188,6 mil pontos

Índice recua 0,51% após IPCA-15 pressionar mercado; fluxo estrangeiro desacelera e ações de bancos e commodities caem

28/04/2026
Ibovespa acumula quinta queda seguida e fecha em 188,6 mil pontos
- Foto: Depositphotos

Em um dia marcado pela leitura desfavorável do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial de abril, o Ibovespa registrou sua quinta sessão consecutiva de perdas. O principal índice da B3 encerrou esta terça-feira (23) aos 188.618,69 pontos, com baixa de 0,51%, permanecendo no menor patamar de fechamento desde 7 de abril, quando marcou 188.258,91 pontos. Durante o pregão, o Ibovespa oscilou entre a mínima de 187.236,79 e a máxima de 189.578,50 pontos, movimentando um volume financeiro de R$ 23,9 bilhões.

No acumulado da semana, o índice recua 1,11%, restringindo o avanço mensal a 0,62%. No ano, porém, o Ibovespa ainda apresenta alta de 17,06%.

Algumas blue chips conseguiram se destacar positivamente, como Petrobras (ON +0,72%, PN +0,32%) e Itaú (PN +0,25%). Gerdau (PN +4,16%) e Metalúrgica Gerdau (+4,55%) também figuraram entre as maiores altas, impulsionadas por resultados trimestrais bem recebidos pelo mercado. Cosan (+3,60%) avançou após o anúncio da oferta pública inicial (IPO) de ações da subsidiária Compass, visto como oportunidade de captação de recursos para a controladora, que vinha sendo penalizada pelo alto endividamento.

Cosan e as duas Gerdau lideraram as altas do dia, enquanto Hapvida (-8,44%), Assaí (-5,74%) e Cyrela (PN -3,57%, ON -3,43%) figuraram entre as principais quedas. Entre os grandes bancos, Santander caiu 0,84%, enquanto Banco do Brasil ON subiu 0,13%. Já Vale ON, principal ação do índice, recuou 1,30% antes da divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026, prevista para a noite. Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones (-0,05%), S&P 500 (-0,49%) e Nasdaq (-0,90%) também fecharam em queda.

De acordo com relatório de Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o investidor estrangeiro segue predominando no fluxo da B3, porém em ritmo menor do que no início do ano. "O investidor institucional local mantém saída estrutural para a renda fixa, favorecido pela Selic ainda elevada," observa.

Praça acrescenta que o investidor pessoa física voltou a comprar levemente, mas sua participação segue abaixo de ciclos anteriores, enquanto os fundos de ações continuam sofrendo resgates em abril. "O rali do Ibovespa depende do capital externo, e a desaceleração desse fluxo é o principal risco para a continuidade da alta," alerta.

Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o Ibovespa acompanhou o desempenho negativo dos mercados globais, ainda impactados pelo prolongamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, que mantém o preço do petróleo acima de US$ 100 o barril.

"No cenário doméstico, o mau humor do mercado também é influenciado pelos efeitos do conflito na economia, como a leitura do IPCA-15 de abril, fortemente impactada por alimentos e combustíveis", acrescenta Perri. Ele destaca que essa combinação de fatores pressiona o orçamento das famílias, eleva a rejeição ao governo e pode aumentar a probabilidade de medidas fiscais expansionistas.

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