Geral
Tecnologia redesenha logística e gestão operacional na construção e eleva eficiência nas obras
Digitalização da cadeia de suprimentos, rastreabilidade e integração de dados passam a influenciar prazos, custos e competitividade das empresas do setor
A digitalização começa a transformar de forma consistente a logística e a gestão operacional na construção civil. Dados recentes da McKinsey indicam que o setor ainda apresenta ganhos de produtividade inferiores a 1% ao ano, bem abaixo de outras indústrias, enquanto a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento entre 2,5% e 3%, impulsionado por obras de infraestrutura.
Esse descompasso entre crescimento e eficiência aumenta a pressão por controle de processos, redução de desperdícios e maior previsibilidade operacional.
Para Magnus Bruno Oyama Machado, engenheiro civil, cofundador da Mafrei Construtora e Incorporadora e responsável pela gestão de operações e suprimentos na Mafrei Materiais de Construção, a transformação já começou dentro das empresas que dependem de logística estruturada e controle operacional. “A construção sempre conviveu com processos fragmentados. A tecnologia permite integrar informações, reduzir erros e dar previsibilidade a uma operação que historicamente foi pouco controlada”, afirma.
Na prática, a digitalização já avança sobre diferentes etapas da cadeia. Sistemas de gestão de estoque, como WMS, começam a substituir controles manuais e ampliam a rastreabilidade dos materiais.
Em um dos projetos liderados pelo executivo, a implantação desse tipo de tecnologia elevou a acuracidade de estoque para 90% e reduziu em cerca de 30% o tempo de separação de pedidos, além de diminuir falhas operacionais. Esse ganho de controle sobre materiais e processos impacta diretamente o ritmo das obras, reduzindo retrabalho e eliminando gargalos operacionais.
Além disso, soluções de monitoramento de frota e roteirização automática passam a ser incorporadas em operações que buscam maior controle logístico. Com geolocalização, registro digital de entregas e dashboards de desempenho, é possível acompanhar, em tempo real, a movimentação de materiais e a performance logística.
Testes iniciais apontam potencial de redução de até 12% no consumo de combustível e de até 30% nos erros de entrega, ao integrar dados de estoque, transporte e operação. “O impacto não é apenas operacional. Com dados confiáveis, a empresa passa a ter mais previsibilidade e consegue escalar a operação com mais segurança”, diz.
A integração também avança na estrutura física das empresas. A criação de centros de distribuição centralizados, estruturados a partir da reorganização logística da operação, permite unificar estoques, otimizar rotas e reduzir perdas ao longo da cadeia. Esse modelo melhora a velocidade de reposição, reduz rupturas e cria base para expansão sustentável, com ganhos em eficiência e controle.
Nesse contexto, a logística deixa de atuar apenas como suporte e passa a exercer papel central na eficiência e no controle das operações.
Apesar dos avanços, a adoção ainda exige planejamento. “Não adianta implantar tecnologia sem redesenhar processos. Muitas empresas investem em sistemas, mas mantêm a lógica operacional anterior, e aí o ganho não aparece”, afirma.
Outro ponto de atenção está na escolha de fornecedores. Empresas especializadas em logística e tecnologia precisam oferecer integração entre sistemas, suporte técnico e capacidade de adaptação à realidade da construção. “A tecnologia precisa conversar com a operação. Se não houver integração entre estoque, entrega e obra, o sistema vira apenas custo”, diz.
A tendência é que a digitalização deixe de ser opcional e passe a atuar como diferencial competitivo. Empresas que conseguem estruturar processos, integrar dados e organizar a operação logística tendem a ganhar velocidade, margem e previsibilidade em um setor historicamente pressionado por custos e prazos.
Com base em sua experiência na estruturação logística e gestão operacional, Magnus destaca cinco práticas consideradas críticas para empresas que buscam maior eficiência logística e redução de erros:
- Mapear processos antes de digitalizar
Identificar gargalos, retrabalhos e falhas operacionais permite que a tecnologia seja aplicada com foco em resultado, e não apenas como substituição de tarefas.
- Integrar sistemas e dados
Soluções isoladas geram inconsistência. A conexão entre estoque, transporte e obra garante rastreabilidade e tomada de decisões mais assertivas.
- Investir em rastreamento e visibilidade
Monitoramento de entregas e frota reduz atrasos, melhora a previsibilidade e aumenta a confiança do cliente no processo.
- Padronizar rotinas operacionais
A tecnologia funciona melhor quando há processos claros. Checklists, fluxos definidos e indicadores ajudam a reduzir erros e aumentar produtividade.
- Escolher fornecedores com experiência no setor
Empresas que entendem a dinâmica da construção conseguem adaptar soluções e evitar falhas na implementação.
“A tecnologia não substitui a gestão, mas potencializa o resultado de quem já tem processos bem estruturados e gestão organizada. Quem fizer isso antes tende a sair na frente”, conclui.
Mais lidas
-
1ANÁLISE MILITAR
Caça russo Su-35S é considerado superior ao F-16 e F-22 por especialista
-
2CULTURA
Marcello Novaes participa de show da banda dos filhos Diogo e Pedro
-
3POLÍTICA PÚBLICA
Alagoas é o primeiro estado a aderir à Conferência Nacional do Ministério da Pesca e Aquicultura
-
4POLÍTICA E ECONOMIA
Lindbergh critica postura de Galípolo e aponta corporativismo no caso Banco Master
-
5FUTEBOL
Náutico vence a Ponte Preta e fica na parte de cima da tabela da Série B do Brasileirão