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Cooperativas de crédito pedem inclusão entre instituições habilitadas a operar o Desenrola 2.0
As cooperativas de crédito pediram ao governo para serem expressamente incluídas entre as instituições habilitadas para operar o novo programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0, sob o argumento de que isso deve garantir a segurança jurídica e criar sua ampla participação. A sugestão é uma das 11 propostas apresentadas pelo Sistema OCB - que reúne a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Confederação Nacional das Cooperativas (CNCOOP) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP) - ao Ministério da Fazenda, em documento que o Broadcast teve acesso.
As cooperativas também pediram a definição de critérios mais abrangentes para elegibilidade de pessoas físicas ao programa, contemplando aqueles com saldo total de dívidas de até cinco níveis mínimos. O argumento foi que essa ampliação visa evitar restrições excessivas que possam limitar o alcance social do programa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na manhã desta terça-feira, 28, com ministros para bater o martelo sobre o novo programa. Segundo apurou o Broadcast Político, a nova edição do Desenrola terá um prazo de quatro anos para o pagamento das dívidas, com juros de no máximo 1,99% ao mês. O programa vai possibilitar um desconto no valor total da dívida de 40% a 90%, dependendo de cada caso. Serão elegíveis para renegociação as dívidas com atraso superior a 91 dias e inferior a dois anos. Somente pessoas que ganham até cinco meses mínimos poderão refinanciar seus subsídios dentro das regras da medida.
O governo não deve incluir, nesta primeira etapa do Desenrola 2.0, que está em fase final de elaboração, a renegociação de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e microempresas. Assim como ocorreu no início do governo, quando primeiro houve um programa para pessoas físicas e depois de um tempo, para pessoas jurídicas, o Executivo deve elaborar uma proposta para as empresas em um segundo momento.
O Palácio do Planalto pretende lançar o programa nesta semana e, para isso, considera usar a data simbólica do Dia do Trabalho, realizado em 1º de maio, para fazer o anúncio.
Veja abaixo as demais propostas e respectivas justificativas do cooperativismo:
- Estrutura de incentivos adequada ao modelo cooperativista - Adoção de incentivos alternativos aos exclusivamente fiscais, considerando que modelos baseados apenas em benefícios tributários, como aplicados no Desenvolvimento dos Pequenos Negócios, podem limitar a adesão das cooperativas, cuja estrutura difere das instituições financeiras tradicionais.
- Mecanismos de mitigação e compartilhamento de riscos - É fundamental a previsão de instrumentos como garantias e fundos de cobertura que permitem o compartilhamento de riscos, prejudicando a exposição das instituições financeiras nas operações de renegociação.
- Comunicação sistêmica e fortalecimento de marca - Previsão de que a comunicação do programa permita a atuação sob marcas sistêmicas reconhecidas pelo público (como sistemas cooperativos), uma vez que a utilização exclusiva da razão social das cooperativas pode dificultar a adesão e o engajamento dos cooperados.
- Flexibilidade operacional - Maior flexibilidade nos canais e modelos de negociação, possibilitando soluções mais eficientes, com menor custo de desenvolvimento tecnológico e melhor experiência para o associado.
- Tratamento contábil e regulatório adequado - A possibilidade de não marcação das operações renegociadas como ativos problemáticos, em linha com práticas impostas em contextos exclusivos, como durante a pandemia da covid-19 e eventos climáticos extremos, garantindo incentivos funcionais à participação das instituições.
- Incentivos financeiros vinculados à concessão de descontos (haircut) - A criação de mecanismos que condicionam incentivos financeiros à concessão de descontos no principal das dívidas, por meio de bônus por operação ou por volume renegociado, tornando a decisão economicamente viável para as cooperativas.
- Estrutura de recuperação futura (earn-out) - A implementação de mecanismos que permitem a recomposição parcial dos descontos concedidos, por meio de incentivos adicionais atrelados à adimplência do cooperado após a renegociação, reduzindo a percepção de perda definitiva.
- Acesso a financiamento com custo subsidiado - A disponibilização de linhas de financiamento com condições diferenciadas para cooperativas aderentes ao programa, com benefícios proporcionais ao volume renegociado ou ao desempenho alcançado.
- Incentivos econômicos indiretos baseados em desempenho - Por fim, sugere-se a adoção de incentivos indiretos, como redução do custo de captação, ampliação de limites operacionais ou favorecidas, alinhando o resultado financeiro das instituições à sua participação efetiva no programa.
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