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Europa busca conter crise dos combustíveis, mas beneficia Rússia, avalia analista

Medidas europeias para amenizar impacto dos preços de energia acabam elevando receitas russas, aponta especialista

28/04/2026
Europa busca conter crise dos combustíveis, mas beneficia Rússia, avalia analista
Medidas da Europa para conter crise dos combustíveis elevam receitas da Rússia no mercado global. - Foto: © AP Photo / Michael Probst

As ações econômicas adotadas pela Europa para mitigar os efeitos da crise dos combustíveis têm, inadvertidamente, impulsionado a receita da Rússia com a venda de energia no mercado internacional. A avaliação foi feita por Kirill Lysenko, analista financeiro da agência Ekspert RA, em entrevista à Sputnik.

Segundo Lysenko, os países europeus têm respondido ao choque energético com políticas como redução de impostos sobre combustíveis e eletricidade, concessão de subsídios e imposição de limites parciais aos preços. O objetivo dessas medidas é suavizar o impacto inflacionário para os consumidores finais europeus.

“Em primeiro lugar, essas políticas reduzem o custo da energia nas contas domésticas e nos postos de combustível. Em segundo, impedem efeitos negativos indiretos ao aliviar os custos dos produtores de itens não energéticos”, explicou o analista.

Na visão de Lysenko, a manutenção da alta demanda de energia na União Europeia, mesmo diante de uma oferta restrita, sustenta elevados níveis de preços globais do setor.

“Ao tomar medidas para aliviar a pressão do choque energético em suas economias, as autoridades europeias estão involuntariamente ajudando a Rússia, cujas receitas de exportação dependem em grande parte da situação dos preços nos mercados de energia”, afirmou o especialista.

Apesar disso, o analista pondera que tais medidas não eliminam a origem da inflação, que é justamente a permanência dos altos preços globais da energia.

Além disso, Lysenko observa que as ações dos governos alteram parcialmente a estrutura dos sinais de preços na economia. Quando a energia se torna mais barata para famílias e empresas, o incentivo para economizá-la diminui, mantendo a demanda em níveis mais altos do que ocorreria sem a intervenção estatal.

Vale destacar que, nesta terça-feira (28), um jornal ocidental noticiou que o número de países que reduziram impostos sobre energia devido à escalada no Oriente Médio dobrou em relação ao mês anterior, mesmo diante de alertas do FMI quanto à necessidade de contenção fiscal.

Segundo a publicação, das 39 economias que adotaram cortes tributários em resposta ao aumento acelerado dos preços do petróleo e do gás, 19 estão localizadas na Europa.

Por Sputnik Brasil