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Irã propõe abertura do Estreito de Ormuz, mas adia negociação nuclear
Nova proposta apresentada por Teerã prioriza fim do bloqueio marítimo e deixa questões nucleares para um segundo momento, segundo fontes do The New York Times.
O Irã apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta de negociação que prioriza a abertura do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio marítimo imposto pelos EUA como condição para encerrar a guerra. Apenas em um segundo momento, seriam abordadas as negociações sobre o programa nuclear iraniano, conforme revelou reportagem do jornal The New York Times.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, entregou o plano mais recente ao Paquistão no domingo, dia 26, depois que uma proposta inicial, feita um dia antes, foi rejeitada pelo então presidente Donald Trump. As informações são de autoridades iranianas familiarizadas com as negociações, que falaram sob condição de anonimato ao Times.
Durante visita a Moscou, Araghchi reuniu-se nesta segunda-feira, 27, com o presidente russo, Vladimir Putin, e com o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. Segundo a TV estatal russa, Putin afirmou que a Rússia fará "tudo o que estiver ao seu alcance" para que a paz seja alcançada rapidamente e reforçou a intenção de Moscou de manter uma relação estratégica com Teerã.
A Casa Branca não se manifestou oficialmente. "Trata-se de discussões diplomáticas delicadas, e os EUA não negociarão por meio da imprensa", declarou Olivia Wales, porta-voz da Casa Branca.
Impasse
A nova oferta do Irã surge após semanas de trocas de rascunhos de propostas entre Teerã e Washington, sem avanços nas questões sensíveis relativas ao programa nuclear iraniano.
Os Estados Unidos exigiram que o Irã suspendesse seu programa nuclear por 20 anos e entregasse o estoque de 440 quilos de urânio altamente enriquecido, quantidade suficiente para a produção de várias armas nucleares caso o programa fosse militarizado.
O Irã recusou as exigências, considerando-as exageradas. Na proposta entregue ao Paquistão no sábado, Teerã ofereceu suspender por cinco anos o enriquecimento de urânio, seguido de mais cinco anos de enriquecimento civil em grau muito baixo, sob supervisão internacional. Metade do estoque permaneceria no Irã sob inspeção, enquanto a outra metade seria enviada à Rússia, aliada do país.
No entanto, os EUA rejeitaram a oferta. Trump afirmou, no sábado, 25, que a resposta iraniana "não era boa o suficiente". Diante disso, o Irã decidiu alterar a estratégia e sugeriu deixar as questões mais complexas para uma etapa posterior.
"Essa é uma mudança na sequência para salvar as aparências: colocar o Estreito de Ormuz em primeiro lugar como parte dos acordos para o fim da guerra, e não das negociações formais; suspender o bloqueio; e adiar as questões mais difíceis para que elas não afundem o processo logo no início", explicou Ali Vaez, diretor para o Irã do International Crisis Group.
Liderança
Desde o início da guerra, generais de alta patente da Guarda Revolucionária têm comandado os combates e tomado decisões estratégicas sobre cessar-fogo e negociações com os EUA, segundo autoridades iranianas. O novo líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, gravemente ferido e isolado, delegou suas funções aos generais.
Com agências internacionais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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