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Conpresp adia pela terceira vez decisão sobre destombamento de prédio icônico em Higienópolis
Julgamento do recurso que pede destombamento da Escola Panamericana de Arte e Design volta a ser adiado, gerando protestos de entidades culturais.
O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) adiou, nesta segunda-feira (27), pela terceira vez, o julgamento do recurso que solicita o destombamento do edifício da Escola Panamericana de Arte e Design, localizado na Avenida Angélica, em Higienópolis, zona oeste da capital paulista. O pedido já esteve em pauta três vezes e ainda não foi votado.
Entidades de defesa do patrimônio cultural protestaram contra o novo adiamento, manifestando preocupação com a preservação do imóvel.
A empresa Keeva, proprietária do edifício, afirmou, por meio de seu representante legal, que espera um julgamento criterioso, com respeito ao devido processo legal e sem pressões externas sobre os conselheiros.
O adiamento ocorreu após o presidente do Conpresp, Ricardo Ferrari, solicitar mais tempo para analisar o caso. A próxima reunião do conselho está marcada para o dia 11 de maio.
O prédio da Escola Panamericana foi tombado em 2024, reconhecido como um ícone da arquitetura pós-moderna paulistana. No ato do tombamento, o Conpresp destacou a "relevância da edificação como testemunho para a história da técnica e da arquitetura, revelando características importantes da linguagem pós-moderna e do urbanismo paulistano do final do século 20".
A Keeva recorreu do tombamento alegando falta de relevância arquitetônica e cultural da obra. No recurso, apresenta parecer do arquiteto Pedro Taddei Neto, segundo o qual o valor arquitetônico e histórico do edifício não seriam inéditos ou excepcionais, já que, datado de 1998, trata-se de uma obra tardia da geração das exoestruturas em aço. O parecer também aponta a ausência de evidências de valor afetivo do prédio para a população paulistana.
'Arquitetura para a arte'
Projetado pelo arquiteto Siegbert Zanettini, o edifício teve sua defesa reforçada em vídeo publicado antes da reunião do Conpresp. Zanettini afirmou: "Mostra que a arte tem seu valor, sua forma e sua arquitetura. Não é uma arquitetura que esconde, quer mostrar que é uma arquitetura para a arte, onde se discute, se forma e se constrói toda consciência artística que precisa ser, senão o País será só ruído e barulho."
Para o arquiteto e urbanista Valter Caldana, numa cidade como São Paulo, cuja legislação prevê a transferência do direito de construir, não há motivo para destombar imóveis. "Gera uma insegurança em todas as outras operações que envolvem o patrimônio histórico da cidade de São Paulo. Vale lembrar que, neste momento, há uma discussão sobre a Serraria do Ibirapuera, que leva a um debate sobre o próprio tombamento do Parque do Ibirapuera. Há também um pedido de destombamento do conjunto esportivo do Ibirapuera novamente. Isso faz parte de um movimento que acaba enfraquecendo as instituições", afirmou.
O adiamento provocou indignação entre entidades preservacionistas, que mobilizaram dezenas de pessoas, entre arquitetos, urbanistas e moradores, para acompanhar a reunião. "Mais uma vez o Conpresp desrespeita os cidadãos de São Paulo. Isso está errado e vamos tomar medidas administrativas e judiciais", declarou Cleiton Honório de Paula, do Coletivo Pro-Higienópolis.
Procurado, o Conpresp informou que ainda irá definir uma nova data para a deliberação.
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