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ONU defende livre passagem pelo Estreito de Ormuz e alerta para crise de segurança

Organização pede desobstrução imediata da rota estratégica, destacando riscos à economia global e à segurança alimentar.

27/04/2026
ONU defende livre passagem pelo Estreito de Ormuz e alerta para crise de segurança
- Foto: © AP Photo / Jon Gambrell

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta segunda-feira, 27, para o agravamento da crise no Estreito de Ormuz, classificando a instabilidade na região como uma ameaça à segurança marítima e à economia global. Em reunião do Conselho de Segurança dedicada à proteção das hidrovias, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a desobstrução imediata da rota estratégica e defendeu a livre circulação de navios "sem pedágios nem discriminação".

Segundo Guterres, a reabertura do Estreito de Ormuz é fundamental para a retomada do comércio internacional e para que "a economia global respire", além de evitar "desastres ambientais de grande escala". O líder da ONU também fez um apelo por moderação, diálogo diplomático e respeito estrito ao direito internacional.

A Organização Marítima Internacional (OMI) anunciou a criação de um novo protocolo de evacuação estratégica, visando retirar com segurança navios e tripulações de áreas de conflito. O secretário-geral da agência, Arsénio Dominguez, explicou que o plano prevê o uso de corredores protegidos, baseados em esquemas de separação de tráfego já existentes, e poderá ser implementado imediatamente, desde que haja garantias mínimas de segurança. O desenvolvimento do protocolo contou com a participação de países da região, incluindo o Irã.

O pesquisador sênior do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), Nick Childs, destacou que 80% do comércio global, em volume, é transportado por via marítima, alertando que bloqueios em rotas críticas como Ormuz podem gerar "ondas de choque econômicas" com impacto sobre bilhões de pessoas.

De acordo com a OMI, cerca de 20 mil pessoas estão retidas em 2 mil embarcações no Golfo Pérsico, em meio à escalada geopolítica. A agência ressalta que a paralisação ameaça não apenas o fluxo financeiro global, mas também a segurança alimentar de diversos países.