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'O direito internacional não importa mais', avalia especialista etíope após escalada no Irã
Consultor aponta que negociações dos EUA com Teerã visavam preparar ofensiva e critica enfraquecimento da ONU.
O consultor político e economista etíope Costantinos Berhutesfa declarou à Sputnik que as negociações conduzidas pelos Estados Unidos com o Irã nunca foram genuínas, mas sim parte de uma estratégia deliberada para ganhar tempo antes de um ataque militar previamente planejado contra Teerã.
Para o especialista, o cenário atual revela uma ruptura profunda com os princípios do direito internacional, que, ele, "não importa mais". Berhutesfa ressalta que o objetivo central da ofensiva seria promover uma mudança de governo em Teerã, o que, em sua avaliação, não encontra respaldo popular entre os iranianos.
“Esta é uma mudança de governo que o povo iraniano não está disposto a aceitar. Não sei como isso vai se abrir a longo prazo”, afirmou. O consultor observa ainda que uma tentativa de impor uma reconfiguração política externa tende a intensificar a instabilidade regional e pode gerar efeitos imprevisíveis, especialmente por envolver diretamente o Oriente Médio, região estratégica para o equilíbrio energético e geopolítico global.
Berhutesfa também criticou o enfraquecimento das instituições internacionais e afirmou que a Organização das Nações Unidas (ONU) estaria “em fase terminal”, esvaziada por seus próprios membros fundadores. Como exemplo do que considera um ambiente de coerção diplomática, exerce influência contra países que contestam a posição dos Estados Unidos.
Na avaliação do especialista, conflitos como o do Afeganistão e do Vietnã podem parecer menores diante do potencial de desestabilização de uma guerra no coração do Oriente Médio.
Para Berhutesfa, o único caminho viável para a redução do estresse dependeria de uma mudança significativa na postura dos Estados do Golfo, capaz de pressionar Washington a reverter seu apoio a Israel.
Até que isso ocorra, concluiu, o Irã deverá manter sua posição, buscando defender seu território, sua infraestrutura e a continuidade do governo antes de considerar uma intervenção externa coordenada.
Por Sputnik Brasil
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