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Chanceler do Irã rejeita interferência dos EUA na escolha do líder supremo

Abbas Araghchi afirma que sucessão iraniana é prerrogativa exclusiva do povo do país e critica declarações de Trump.

Sputinik Brasil 08/03/2026
Chanceler do Irã rejeita interferência dos EUA na escolha do líder supremo
Chanceler iraniano reafirma autonomia do país na escolha do líder supremo e critica pressão dos EUA. - Foto: © AP Photo / Hassan Ammar

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (8), em entrevista a um canal norte-americano, que o país não permitirá qualquer interferência dos Estados Unidos ou de outras nações em seus assuntos internos, especialmente no processo de escolha do novo líder supremo.

"Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. Cabe ao povo iraniano eleger seu novo líder. Eles já elegeram a Assembleia de Peritos, e a Assembleia de Peritos fará esse trabalho. É assunto exclusivo do povo iraniano e de mais ninguém", declarou Araghchi à NBC News.

Questionado sobre rumores envolvendo o processo de sucessão, o chanceler destacou que "há muitos rumores circulando" e reforçou que o procedimento seguirá os mecanismos previstos pelo sistema político do Irã.

Araghchi também comentou declarações recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, que sugeriu que os norte-americanos deveriam ter voz na escolha do novo líder supremo iraniano para evitar futuras tensões.

Na semana anterior, Trump justificou ações contra o Irã alegando que Teerã estaria desenvolvendo mísseis capazes de atingir os Estados Unidos. Durante a entrevista, Araghchi rebateu a afirmação do presidente norte-americano.

"Isso é, na verdade, desinformação", disse o chanceler. "Temos capacidade para produzir mísseis, mas nos limitamos intencionalmente a um alcance inferior a 2 mil quilômetros, porque não queremos ser vistos como uma ameaça por ninguém no mundo."

O ministro ressaltou ainda que Estados Unidos e Israel "estão matando nosso povo, estão matando estudantes, meninas, atacando hospitais" e defendeu que "é preciso haver um fim permanente para a guerra".