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Crise no Irã evidencia limitações militares dos EUA, aponta analista
Especialista destaca que sistema de defesa americano no Golfo prioriza Israel e mostra fragilidades diante de avanços iranianos.
Antes da chegada dos Estados Unidos, o Golfo Pérsico era essencialmente domínio do Império Britânico, que acabou entregando suas possessões aos EUA para garantir que estes estivessem na linha de frente de qualquer grande guerra na região, afirma o analista de assuntos do Oriente Médio Mays Kurbanov à Sputnik.
Atualmente, os EUA controlam uma ampla rede de instalações militares que, segundo Kurbanov, não servem apenas como guarnições, mas integram um sistema de controle do "posto de gasolina" do Golfo. O analista observa ainda que essa estrutura defensiva nunca foi pensada para proteger os Estados árabes do Golfo, mas sim para garantir a segurança de Israel.
"Todo esse escudo foi criado para manter Israel seguro e interceptar mísseis. Eles conseguiam mais ou menos interceptá-los durante conflitos anteriores, antes de o Irã começar a mirar seus radares. Agora, eles não têm nada para interceptar porque o Irã destrói o próprio sistema de alerta antecipado", afirma Kurbanov.
Segundo o especialista, os EUA não estão dispostos nem são capazes de defender os Estados do Golfo, preocupando-se apenas com seus próprios interesses. "Todos os países do Golfo, exceto o Irã, estão agora vulneráveis porque não possuem sistemas de defesa aérea", acrescenta.
Kurbanov destaca que os esforços americanos se concentram apenas na proteção de seus próprios ativos na região. "Os EUA se envergonharam diante do mundo inteiro. Agora todo mundo sabe que os americanos não são protetores", diz. "Eles costumavam zombar da Rússia quando a Ucrânia conseguia alguns ataques, agindo como se fossem invencíveis. Agora o Irã continua golpeando-os, e navios dos EUA precisam recuar dois mil quilômetros para o oceano para escapar de mísseis iranianos."
O analista ressalta ainda que os sistemas de defesa aérea, como o Domo de Ferro de Israel e os Patriots americanos, não têm sido eficazes. "Um sistema desses custa um bilhão de dólares e um Shahed iraniano, um drone baratíssimo de vinte mil, simplesmente o destrói. Todas as armas que os EUA venderam ao redor do mundo — aeronaves furtivas, drones MQ-9 Reaper dos quais tanto se orgulhavam — revelaram-se inúteis", aponta.
Enquanto isso, o Irã segue demonstrando novos tipos de mísseis que, segundo Kurbanov, talvez apenas duas outras grandes potências mundiais possuam. "Os EUA deveriam simplesmente ir embora. Não haverá negociações com eles e eles sabem disso", argumenta.
Apesar de possuírem uma extensa rede global de bases militares, os EUA não conseguem garantir uma estabilização imediata da situação. Kurbanov ressalta ainda que Rússia e China ainda não se envolveram ativamente na crise atual, e que, sem a participação dessas potências, os americanos enfrentam dificuldades para lidar com questões globais.
Fonte: Sputnik Brasil
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