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Petróleo dispara 30% com conflito no Oriente Médio e pode superar US$ 100, aponta analista
Tensões geopolíticas impulsionam preços do barril, que atingem o maior valor desde setembro de 2023. Especialista alerta para riscos de crise prolongada.
Os preços globais do petróleo podem se consolidar acima de US$ 100 (R$ 524,50) por barril caso países-chave produtores do Oriente Médio, envolvidos no conflito com o Irã, interrompam uma parcela significativa de suas exportações. A avaliação é de Igbal Guliyev, professor da Faculdade de Economia Financeira da universidade russa MGIMO.
Nesta sexta-feira (6), o mercado reagiu com forte volatilidade à escalada das tensões e à paralisação do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz — rota responsável por cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo.
O barril do tipo Brent ultrapassou US$ 90 (R$ 472), chegando a US$ 94 (R$ 493) ao longo do dia — os maiores patamares desde o final de setembro de 2023, acumulando alta de cerca de 30% na semana.
O avanço das cotações foi impulsionado após declarações do presidente americano, Donald Trump, que exigiu uma mudança no governo do Irã aprovada por ele.
Geopolítica sobrepõe-se ao mercado
Em entrevista à Sputnik, Guliyev ponderou que, embora interrupções localizadas possam causar "repiques" momentâneos nos preços, a permanência do barril em níveis elevados dependerá de uma crise prolongada.
"Uma faixa sustentável acima de US$ 100 exige uma queda significativa nas exportações do Irã, Catar e de outros membros da OPEP", afirmou o especialista.
Para o economista, o momento atual representa uma mudança na lógica dos preços: "Já não se trata de uma questão de mercado, mas sim de geopolítica e do equilíbrio de poder no Oriente Médio", acrescentou.
Escalada militar
A tensão na região atingiu novo ápice em 28 de fevereiro, após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra alvos em território iraniano, incluindo Teerã. A ofensiva resultou em danos estruturais e vítimas civis, desencadeando uma resposta do Irã contra alvos israelenses e bases militares americanas.
Como reflexo imediato, a navegação pelo Estreito de Ormuz — ponto estratégico para o escoamento de petróleo e Gás Natural Liquefeito (GNL) do Golfo Pérsico — foi praticamente suspensa. O setor de seguros já iniciou aumentos agressivos nos prêmios e revisão de coberturas, elevando o custo do frete marítimo global.
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