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Ibovespa recua quase 5% na semana e fecha abaixo de 180 mil pontos

Índice atinge menor patamar desde janeiro, pressionado por tensão geopolítica e queda de bancos e empresas de metais. Petrobras se destaca em alta após balanço.

06/03/2026
Ibovespa recua quase 5% na semana e fecha abaixo de 180 mil pontos
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Ibovespa encerrou a semana com queda de 4,99%, voltando ao patamar de 179.364,82 pontos, o menor nível desde 26 de janeiro. O desempenho negativo foi influenciado principalmente pela pressão do setor de metais e das ações de bancos, apesar do avanço da Petrobras após a divulgação do balanço de 2025. O índice fechou em baixa de 0,61% na sexta-feira, mantendo-se abaixo da marca dos 180 mil pontos.

A tensão no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo, com o barril do Brent subindo 27% e o do WTI, 35% na semana, reforçando preocupações sobre a inflação global e a trajetória dos juros. Nesta sexta, o Brent avançou 8,5% em Londres, enquanto o WTI saltou 12% em Nova York, ambos superando US$ 90 por barril.

O Ibovespa registrou sua maior perda semanal desde novembro de 2022, quando caiu 5%. No pregão desta sexta-feira, o índice oscilou entre 178.556,49 e 181.091,01 pontos, com giro financeiro de R$ 32,6 bilhões. No acumulado do ano, o índice ainda apresenta alta de 11,32%.

Entre os destaques positivos, as ações da Petrobras subiram (ON +4,12%, PN +3,49%), impulsionadas pela boa recepção ao balanço do quarto trimestre e pela teleconferência dos resultados, na qual a presidente Magda Chambriard reiterou a política de preços da estatal diante da volatilidade do petróleo. A possibilidade de reajustes nos preços domésticos não foi descartada.

No lado negativo, empresas do setor metálico, como Vale ON (-2,99%) e CSN ON (-4,26%), e do setor financeiro, como Santander Unit (-2,51%), pressionaram o índice. Outras quedas relevantes foram registradas por Embraer (-8,05%), Vamos (-7,24%) e Raízen (-6,78%).

Segundo Bruna Sene, analista da Rico, o mês de março começou com ajustes após um início de ano positivo para a Bolsa brasileira. A percepção de risco global aumentou após o ataque dos EUA e Israel ao Irã, afetando não só o mercado de ações, mas também o câmbio e os juros futuros.

Com o recuo semanal, os ganhos do Ibovespa no ano, que chegaram a 17,17% até o fim de fevereiro, agora estão em 11,32%. Em dólar, o índice acumula alta de 16,52%, considerando a valorização de 2,14% do dólar frente ao real na semana. Na sessão, a moeda americana caiu 0,82%, a R$ 5,2438. Em Nova York, Dow Jones recuou 0,95%, S&P 500 caiu 1,33% e Nasdaq, 1,59%.

O cenário de incerteza geopolítica segue pesando sobre as projeções. Matthew Ryan, head de estratégia da Ebury, cita dados da Polymarket indicando que apenas uma chance em três é atribuída ao fim das operações militares dos EUA até o fim de março, bem abaixo das estimativas iniciais.

No Termômetro Broadcast Bolsa, 37,5% dos participantes esperam alta do Ibovespa na próxima semana, e outros 37,5% preveem estabilidade. A fatia dos que projetam queda manteve-se em 25%.