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CNA solicita aumento da mistura de biodiesel para 17% diante de conflito no Oriente Médio

Entidade alega que ampliação do biodiesel é medida urgente para conter impactos nos preços do diesel e fortalecer segurança energética nacional

06/03/2026
CNA solicita aumento da mistura de biodiesel para 17% diante de conflito no Oriente Médio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao governo federal o aumento da mistura mínima obrigatória de biodiesel ao óleo diesel, passando dos atuais 15% para 17%. Segundo a entidade, a medida é urgente diante da escalada do conflito no Oriente Médio, que tem elevado o preço do petróleo e, consequentemente, do diesel no mercado interno.

O pedido foi encaminhado ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em ofício assinado pelo presidente da CNA, João Martins da Silva, conforme informou a confederação ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A CNA destaca a preocupação do setor produtivo com as recentes elevações nos preços do petróleo, oscilações no abastecimento, custos logísticos e possíveis impactos negativos na macroeconomia nacional, todos agravados pelo conflito iniciado no último sábado, 20 de fevereiro.

Para a entidade, ampliar a obrigatoriedade do biodiesel é uma ação urgente para garantir preços competitivos do biocombustível e ajudar a conter eventuais aumentos nos custos de transporte no país.

A CNA ressalta que o preço do petróleo Brent atingiu US$ 84 por barril, acumulando alta superior a 20% desde o fim de fevereiro. Como referência, lembra que, na iminência da guerra entre Rússia e Ucrânia, o barril subiu 40%, resultando em aumentos de 21% e 23% nos preços de distribuição e revenda do diesel, respectivamente.

"Em antecipação aos potenciais impactos à população brasileira, o avanço da mistura de biodiesel representa medida importante e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado doméstico, reduzir pressões sobre os custos logísticos e fortalecer a segurança energética nacional", justificou a CNA.

A confederação recorda ainda que o cronograma oficial previa a implementação do B16 para 1º de março, o que não ocorreu. "No novo quadro da geopolítica mundial, o avanço imediato para 17% (B17) surge como medida razoável para a realidade nacional", argumenta a entidade.

O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, afirmou em entrevista ao Broadcast Agro que o impacto do conflito nos combustíveis é a principal preocupação do setor produtivo neste momento, especialmente durante a colheita da primeira safra e a preparação para o plantio da segunda, períodos de maior consumo de diesel nas operações mecanizadas.

"O preço do barril do petróleo tem aumentado bastante e recebemos relatos de produtores reportando aumento de R$ 1 no preço do diesel nas bombas, o que consideramos um exagero. Por isso, solicitamos preventivamente o B17 para evitar maiores aumentos e coibir possíveis abusos identificados", disse Lucchi.

Segundo Lucchi, do lado da oferta, a safra de soja está em pleno andamento, garantindo amplo abastecimento às indústrias esmagadoras. "Estamos colhendo uma safra recorde, com preços de soja abaixo dos registrados desde a pandemia de covid-19, o que permite ao biodiesel ser competitivo tanto para conter o aumento dos custos logísticos quanto para evitar elevação no custo de produção", destacou. Ele também manifestou preocupação com possíveis efeitos do aumento "exagerado" dos combustíveis, como a criação de demanda artificial e riscos de oscilações no abastecimento.

O percentual mínimo de biodiesel adicionado ao óleo diesel é definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deve se reunir na próxima semana, podendo incluir o tema na pauta.