Geral
Mulheres continuam minoria e recebem menos que os homens no setor de petróleo e gás
Estudo do Dieese mostra que participação feminina é de 17,7% no setor e que remuneração média das mulheres representa 87,2% do salário dos homens
Rio de Janeiro, 6 de março de 2026 - Mesmo com avanços pontuais na presença feminina na indústria de petróleo e gás, as desigualdades de gênero seguem marcantes no setor. Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/subseção FUP), com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho, mostra que as mulheres representaram em 2024 (últimos dados disponíveis) apenas 17,7% da força de trabalho na área.
No ano passado, havia 19.745 mulheres empregadas no setor petroleiro nacional face a 91.655 homens. Apesar de um leve crescimento ao longo dos anos (em 2023 eram 18.331 mil mulheres) a presença feminina permanece minoritária em um dos segmentos estratégicos da economia brasileira.
Para Cibele Vieira, diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a desigualdade de gênero no setor não se expressa apenas nos números, mas também no cotidiano das trabalhadoras. Em dezembro do ano passado, a dirigente sindical foi alvo de ataques misóginos, episódio que ganhou repercussão entre trabalhadores dentro e fora da categoria.
“Quando falamos de desigualdade no setor petroleiro, não estamos falando apenas de números. O ambiente de trabalho também reproduz violências que as mulheres enfrentam fora dele. A plataforma, a refinaria ou o escritório não são um mundo à parte da sociedade”, afirma.
A desigualdade também aparece na remuneração. Segundo o estudo, as mulheres sempre receberam salários médios inferiores aos dos homens no setor. Em 2024, o rendimento feminino correspondia em média a 87,2% do salário dos homens.
“Quando uma mulher ganha menos que um homem fazendo parte do mesmo setor, isso não é só desigualdade salarial. É uma forma concreta de violência econômica, porque reduz a autonomia das trabalhadoras e amplia sua vulnerabilidade dentro e fora do ambiente de trabalho”, diz Bárbara Bezerra, diretora da FUP e coordenadora do Coletivo de Mulheres Petroleiras.
A participação feminina também é limitada nos espaços de comando. No Sistema Petrobrás, as mulheres representaram, em 2025, 17,6% do total de trabalhadores (era 17,4% em 2024) e ocuparam 25,6% dos cargos de chefia (contra 24,7% no ano anterior), segundo os dados do relatório de Administração 2025 da Petrobrás divulgados nesta sexta-feira, 6, pela empresa, e analisados pelo economista Cloviomar Cararine, do Dieese/subseção FUP.
Na estatal, são atualmente 8.938 mulheres, total ligeiramente acima das 8.570 trabalhadoras de 2024.
“O relatório mostra que a presença feminina na Petrobrás voltou a crescer em 2025, mas de forma lenta, apenas 0,2 pontos percentuais em relação à 2024. O mesmo ocorreu nos postos de comando da Petrobrás, onde a participação das mulheres ainda é pequena, porém crescente ao longo do governo Lula 3 (era de 20% em 2020, com alta de 5,6 pontos percentuais em 2025)”, destaca Cararine.
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