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Dirigente do BCE alerta para riscos de alta na inflação com energia, salários e demanda
Isabel Schnabel destaca incertezas no curto prazo e aponta que mercado de trabalho restrito e demanda forte podem pressionar preços na zona do euro.
Isabel Schnabel, dirigente do Banco Central Europeu (BCE), afirmou nesta sexta-feira (6) que, embora a inflação da zona do euro deva convergir para a meta de 2% no médio prazo, o cenário atual ainda apresenta riscos de alta para os preços. Entre os fatores, ela destacou as tensões geopolíticas, o mercado de trabalho apertado e a resiliência da demanda doméstica. Segundo Schnabel, o ambiente de curto prazo tornou-se mais incerto após o recente choque nos preços de energia relacionado ao conflito envolvendo o Irã.
A dirigente ressaltou que as condições do mercado de trabalho seguem pressionando os custos. "Os mercados de trabalho em toda a zona do euro permanecem restritos", afirmou, destacando que o desemprego está em níveis baixos em comparação com padrões históricos. Além disso, "a remuneração total por empregado segue elevada frente aos níveis compatíveis com uma inflação estável".
Para Schnabel, esse contexto eleva o risco de persistência inflacionária, especialmente no setor de serviços. "Essa combinação de fatores representa riscos de alta para a trajetória futura da inflação doméstica, particularmente em serviços com uso intensivo de mão de obra, onde os salários têm grande peso nos custos totais e a transmissão tende a ser gradual, porém persistente", explicou.
A dirigente também observou que a política fiscal expansionista e a melhora nas perspectivas de demanda podem reforçar essas pressões, enquanto novos acordos comerciais podem compensar parte da desaceleração nas trocas com os Estados Unidos.
Nesse contexto, Schnabel alertou que as pressões inflacionárias podem ressurgir caso a demanda supere a capacidade produtiva. "Com mercados de trabalho apertados e demanda doméstica em fortalecimento, as pressões de preços podem reaparecer se a demanda superar a oferta", advertiu.
Apesar dos riscos, Schnabel afirmou que a política monetária está bem posicionada para enfrentar os desafios. "Nosso mandato de estabilidade de preços está bem equipado e robusto para lidar com os desafios atuais", disse, acrescentando que a política monetária da zona do euro permanece em posição favorável, apesar do ambiente geopolítico e macroeconômico continuar gerando riscos de alta para a inflação.
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