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Indústria de pneus pede ao governo barreiras contra importações

Setor nacional reivindica medidas urgentes para conter avanço de pneus importados, que já dominam o mercado de reposição.

06/03/2026
Indústria de pneus pede ao governo barreiras contra importações
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A indústria de pneus formalizou ao governo um pedido por medidas emergenciais para conter a entrada de concorrentes importados, que já representam mais da metade do consumo no mercado de reposição. Entre as ações de curto prazo solicitadas estão concessões de direito provisório em processos antidumping, barreiras tarifárias e maior controle sobre a entrada dos produtos importados.

Um manifesto com cinco medidas urgentes foi entregue ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), após balanços da Anip — entidade que representa os fabricantes nacionais — indicarem que as importações já respondem por quase seis a cada dez pneus trocados no Brasil.

A participação dos importados no mercado de reposição saltou de 34% em 2019 para 60% em 2024, recuando levemente para 59% no ano passado.

Além da Anip, o documento é assinado pela Abiquim (setor químico), outras dez entidades das indústrias de pneus e borracha, e pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

O manifesto reitera críticas à entrada de pneus importados, especialmente asiáticos, muitas vezes vendidos a preços inferiores ao custo das matérias-primas. Ademais, barreiras impostas em mercados internacionais — como o México, que elevou o imposto de importação para 35% — têm provocado uma "desova" desses produtos no mercado brasileiro.

Em janeiro, a fatia de pneus fabricados no Brasil no mercado de reposição caiu para 28%, um índice inédito segundo a Anip.

No manifesto, as entidades solicitam um sistema de licenças não automáticas para produtos com valores abaixo do referencial internacional, reforço no combate a fraudes e restrição a pneus que não respeitam normas ambientais de destinação final. Também pedem maior agilidade nas investigações antidumping, com aplicação de direito provisório durante o processo.

A Anip argumenta que processos antidumping são caros, complexos e demorados, podendo levar mais de 18 meses até a aplicação de tarifas, período em que a indústria nacional já sofre prejuízos.

O documento enviado ao MDIC ainda reivindica preferência a pneus com conteúdo local nas compras públicas e que a nacionalização seja critério para linhas de financiamento com juros reduzidos. As entidades também defendem tarifas de importação alinhadas às de outros países, para evitar o desvio de produtos ao Brasil, e cobram a implementação da política de estímulo à produção de borracha nacional, atualmente em fase final de elaboração pelo governo federal.

Segundo a Anip, a entrada massiva de pneus importados ameaça a indústria nacional, gerando risco de desindustrialização e impactos negativos em toda a cadeia produtiva, do cultivo da borracha à indústria química, siderúrgica e têxtil. Por isso, o manifesto conta com o apoio de entidades de fornecedores.