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FAO aponta primeira alta no índice global de preços de alimentos em cinco meses

Valorização do trigo, óleos vegetais e carnes impulsiona indicador; açúcar e laticínios recuam

06/03/2026
FAO aponta primeira alta no índice global de preços de alimentos em cinco meses
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) registrou alta em fevereiro, interrompendo uma sequência de cinco meses consecutivos de queda. O indicador atingiu média de 125,3 pontos, representando um avanço de 0,9% em relação ao nível revisado de janeiro, embora ainda esteja 1,0% abaixo do patamar observado no mesmo mês de 2023. O aumento foi impulsionado principalmente pela valorização do trigo, dos óleos vegetais e de algumas carnes, que compensaram a queda nos preços do açúcar e dos laticínios, especialmente o queijo.

Cereais e óleos vegetais em destaque

O subíndice de preços dos cereais subiu 1,1% em relação a janeiro, com o trigo liderando o movimento devido a relatos de pagamentos em partes da Europa e dos Estados Unidos, além de interrupções logísticas contínuas na Federação Russa e na região do Mar Negro. O índice para o arroz também apresentou alta de 0,4%, sustentado pela demanda persistente por variedades especiais.

Já o subíndice de óleos vegetais subiu 3,3% em fevereiro, atingindo o maior nível desde junho de 2022. O preço do óleo de palma aumentou em razão da forte demanda global e da produção sazonalmente reduzida no Sudeste Asiático. No caso do óleo de soja, a valorização foi motivada pela expectativa de medidas de apoio aos biocombustíveis nos Estados Unidos.

Carne em alta, açúcar e laticínios em queda

O subíndice de carnes avançou 0,8% no mês. A carne bovina foi destaque, com valorização sustentada pela forte demanda de importação da China e dos Estados Unidos, enquanto os preços da carne ovina atingiram níveis recordes.

No sentido oposto, o subíndice de açúcar recuou 4,1% em fevereiro ante janeiro, acumulando queda de 27,3% na comparação anual. A retração é atribuída à expectativa de oferta global ampla na temporada atual. O subíndice de laticínios também caiu 1,2%, pressionado pelos preços menores do queijo, apesar das altas nas cotações da manteiga e do leite em pó.

Perspectivas para 2026

A FAO divulgou novas projeções para a produção mundial de trigo em 2026, evitando uma queda de cerca de 3%, para 810 milhões de toneladas. Segundo a entidade, a redução decorre da menor área semeada na União Europeia, Rússia e Estados Unidos, em resposta aos preços mais baixos da commodity.

Para o Hemisfério Sul, as perspectivas iniciais para o milho são positivas. A organização destaca que a expansão da área plantada e as condições climáticas específicas devem resultar em produções acima da média na Argentina e no Brasil. Na África do Sul, a previsão é de uma segunda safra recorde consecutiva em 2026.