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Trump exige participação na escolha do novo líder supremo do Irã

Após morte de Ali Khamenei em ataque dos EUA e Israel, ex-presidente americano pressiona por influência no processo sucessório iraniano

06/03/2026
Trump exige participação na escolha do novo líder supremo do Irã
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Donald Trump comparou nesta quinta-feira, 5, a escolha do próximo líder supremo do Irã à nomeação da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos EUA. O ex-presidente americano afirmou que deve participar da escolha do novo líder iraniano.

O aiatolá Ali Khamenei foi morto no sábado, 28, em ataques realizados pelos EUA e Israel contra a cúpula do regime. Segundo a imprensa iraniana, a Assembleia de Especialistas do Irã teria selecionado Mojtaba, filho de Khamenei, como novo líder supremo. A informação foi divulgada pela emissora TV Iran International, transmitida em Londres, no Reino Unido.

Trump, no entanto, considerou "inaceitável" a indicação do filho de Khamenei ao cargo máximo do país. "O filho de Khamenei é um fracote. Tenho de participar da nomeação, como foi com Delcy", declarou Trump ao site de notícias Axios.

Na terça-feira, 3, EUA e Israel bombardearam o prédio da assembleia na cidade sagrada de Qom, onde 88 aiatolás deveriam se reunir para definir o sucessor de Khamenei. A agência de notícias iraniana Fars informou, porém, que o edifício estava vazio no momento do ataque.

Interlocução

No mesmo dia, Trump afirmou que, entre os candidatos inicialmente considerados pelo seu governo para liderar o Irã, alguns já estavam mortos. "A maioria das pessoas que temos em mente já morreram. Agora, temos outro grupo, que também pode estar morto, segundos relatos. Então, teremos uma terceira onda. Em breve, não conheceremos mais ninguém", disse.

O ex-presidente americano deu a possibilidade de indicar Reza Pahlevi, filho do xá Mohamed Pahlavi, deposto durante a Revolução Islâmica de 1979. Apesar de considerar Pahlevi "um cara legal", Trump avaliou que alguém do próprio regime seria uma escolha mais apropriada. “Faz sentido colocar alguém que está presente, que é popular atualmente, se é que existe tal pessoa”, comentou.

De acordo com o New York Times , citando autoridades sob anonimato, os clérigos iranianos chegaram a cogitar o anúncio de Mojtaba, mas recuaram por temer que ele se tornou alvo de ataques dos EUA e de Israel.

Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é o segundo filho de Ali Khamenei e também aiatolá, título que concede a clérigos de alto escalonamento no islamismo xiita. Ele serviu no exército iraniano durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988) e teria liderado a milícia paramilitar Basij na repressão aos protestos de 2009.

Favorito

Mojtaba já foi planejado como possível sucessor do pai antes mesmo do início da atual guerra no Oriente Médio. Ali Khamenei foi o segundo líder supremo do Irã após a Revolução Islâmica, sucedendo o aiatolá Ruhollah Khomeini, e novidades no cargo de junho de 1989 até 28 de fevereiro, quando foi morto.

Segundo a Iran International, Mojtaba teria sido eleito líder supremo sob pressão da Guarda Revolucionária, uma das instituições mais poderosas do Irã, responsável por preservar o regime islâmico e detentor de grande poder militar.

A Guarda Revolucionária é vista como conservadora dentro do país e, recentemente, passou a ser uma organização terrorista por EUA, Israel, Argentina, Austrália, entre outros. (Com agências internacionais)