Geral
Israel ordena retirada em massa antes de ataque e Beirute vive clima de pânico
Milhares deixam bairro de Dahiyeh após ordem israelense; capital libanesa registra caos e deslocamento forçado
O Exército de Israel anunciou, nesta quinta-feira (5), o início de ataques para destruir a infraestrutura do Hezbollah no bairro de Dahiyeh, uma área comercial e residencial densamente povoada nos subúrbios de Beirute.
O comunicado foi feito durante a madrugada (noite de ontem pelo horário de Brasília), poucas horas depois que as forças israelenses emitiram uma ordem de retirada para toda a população da região, considerada reduto do Hezbollah. Estima-se que até 700 mil pessoas residam na área.
Esta é a primeira vez que Israel ordena a evacuação de uma área tão extensa na capital libanesa. Anteriormente, as ordens eram restritas a prédios específicos, que depois foram alvos de ataques.
Guerra
O Líbano foi arrastado para o conflito na segunda-feira (2), quando a milícia xiita Hezbollah, instalada pelo Irã, lançou foguetes contra o norte de Israel em retaliação à morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano, ocorrido no sábado (28) em ataques atribuídos aos Estados Unidos e Israel.
Em resposta, Israel bombardeou o território libanês e suas tropas avançaram sobre várias localidades próximas à fronteira na quarta-feira. Segundo autoridades libanesas, ao menos 123 pessoas morreram e 83 mil deslocados foramdas.
“Salvem suas vidas e deixem suas residências de imediato”, alertou o porta-voz militar israelense em árabe, Avichay Adraee. O aviso provocou pânico em Beirute, que registrou grandes congestionamentos.
"Acabei de ver a mensagem, mas não tenho para onde ir", relatou Amir Hattoum, um dos milhares que tentaram deixar a região, circulando por ruas secundárias em sua motocicleta.
Devastação
Israel vem realizando ataques em Dahiyeh desde segunda-feira, mas um ministro israelense, em vídeo divulgado ontem nas redes sociais, ameaçou ampliar a destruição.
“Dahiyeh ficará igual a Khan Younis”, declarou o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, referindo-se à cidade de Gaza devastada pelos bombardeios israelenses. "Vocês quiseram infernizar nossa vida, mas atraíram o inferno para si mesmos."
Grande parte dos moradores de Dahiyeh já havia deixado suas casas nos últimos dias, após o início dos ataques aéreos. Muitos procuraram abrigos em prédios públicos e escolas transformadas em refúgios improvisados, mas, diante da lotação, alguns dormem em carros ou nas ruas.
Danny Dannon, embaixador de Israel na ONU, elogiou as críticas do governo libanês ao envolvimento do Hezbollah no conflito, mas cobrou ações concretas contra o grupo. Ele afirmou que Israel eliminará "os agentes do Hezbollah e os representantes do regime iraniano no Líbano".
O gabinete do presidente libanês, Joseph Aoun, informou ter conversado com o presidente francês, Emmanuel Macron, após a ordem de retirada, pedindo a sua intervenção para evitar ataques em Beirute. Não há clareza sobre o alcance da influência diplomática da França nas decisões militares de Israel.
Hamas
Segundo a agência estatal libanesa ANI, um ataque israelense a um campo de refugiados palestinos no norte do Líbano matou um líder do Hamas. É o primeiro "alto funcionário" do grupo morto em ataque direcionado desde o início do conflito.
Wasim Atala al-Ali e sua esposa morreram após um drone atingir sua residência no campo de Beddawi, próximo a Trípoli, a mais de 180 km da fronteira com Israel.
Com agênciass
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