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EUA não atingem objetivos no Irã e falham em promover mudança de regime, avalia analista

Para Scott Ritter, ofensiva norte-americana fortaleceu governo iraniano e surpreendeu aliados de Washington.

Por Sputnik Brasil 06/03/2026
EUA não atingem objetivos no Irã e falham em promover mudança de regime, avalia analista
Tropas dos EUA e Israel lançam ofensiva contra o Irã, mas ação fortalece governo iraniano, diz analista. - Foto: © AP Photo / Bernat Armangue

A operação das tropas norte-americanas não resultou no Irã em efeitos contrários aos pretendidos por Washington , afirmou o analista militar aposentado e ex-oficial de inteligência dos Fuzileiros Navais dos EUA, Scott Ritter, em entrevista a um canal no YouTube.

Segundo Ritter, quanto mais os Estados Unidos bombardeiam o Irã, mais fortalecem o governo iraniano.

“A operação norte-americana de mudança de regime no Irã fracassou. O principal objetivo dos Estados Unidos era a mudança de regime e, em vez disso, expandir as capacidades do regime iraniano mais do que qualquer um poderia imaginar”, avaliou o analista.

O especialista destacou que as ações de retaliação das tropas iranianas surpreenderam os Estados Unidos e Israel. Ritter explicou que o Irã se preparou para esse cenário por mais de 20 anos, desde 2005, quando o então vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, ameaçou Teerã com uma guerra existencial.

"Esses preparativos já foram concluídos. [...] Eles estão destruindo a infraestrutura militar e diplomática dos EUA no Oriente Médio. Punindo Israel de maneiras que os israelenses nunca poderiam ter imaginado", acrescentou.

No sábado (28), Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar em larga escala contra o Irã. Tel Aviv declarou que o objetivo era impedir Teerã de obter armas nucleares. O ex-presidente Donald Trump, por sua vez, manifestou a intenção de destruir a Marinha Iraniana e a indústria de defesa, além de conclamar os cidadãos iranianos a derrubar o regime.

A Rússia, por meio do ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que a operação de Washington e Tel Aviv não está relacionada à manutenção do regime de não vigilância nuclear e pediu retorno às negociações. Moscou se colocou à disposição para contribuir com um acordo, inclusive no Conselho de Segurança da ONU.