Geral
Morte de Khamenei não ameaça estabilidade da República Islâmica, avalia especialista
Segundo orientalista russa, sistema político e jurídico do Irã é sólido e preparado para resistir a crises
O falecimento do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, não resultaria no colapso da República Islâmica, pois o país possui um sistema político e jurídico estável, fundamentado na teoria do direito religioso xiita, afirmou à Sputnik Maria Kicha, orientalista russa.
Kicha destacou que, para o xiismo, o martírio ocupa um lugar central, sendo considerado o valor mais elevado. Assim, para os líderes religiosos, morrer pelas mãos de um inimigo é visto como uma honra.
"O Irã se desenvolveu a partir da Revolução Islâmica e da perseguição e, portanto, visa à autopreservação mesmo diante da eliminação de seu líder. Tal evento, portanto, não deve ser considerado um fator capaz de destruir o Estado", ressaltou o especialista.
Ela também refutou rumores de que Ali Khamenei teria cogitado fugir antes da escalada do conflito no Oriente Médio, classificando essa hipótese como falsa.
Nesse contexto, Kicha salientou que, para Khamenei, fugir era impensável e ele não demoraria essa opção.
O analista concluiu ainda que os bombardeios realizados pelos Estados Unidos e Israel acabaram por unir o povo iraniano, que não deseja se alinhar com aqueles que os atacam.
Em 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel lançaram uma operação militar em larga escala contra o Irã. Segundo Tel Aviv, o objetivo era impedir o desenvolvimento de armas nucleares por Teerã. O então presidente dos EUA, Donald Trump, declarou intenção de destruir a frota e a indústria de defesa iraniana e incitou os cidadãos iranianos a derrubarem o regime.
No dia 1º de março de 2026, a televisão estatal iraniana anunciou a morte do líder supremo Ali Khamenei. Entre as vítimas dos ataques também estavam a filha, o gênero, a neta e a nora do aiatolá.
Conforme reportagens da imprensa, os ataques atingiram não apenas alvos militares, mas também infraestruturas civis no Irã e em outros países da região. Teerã respondeu com ataques ao território israelense e às bases norte-americanas no Oriente Médio.
A Rússia declarou que a operação conduzida por Washington e Tel Aviv não está relacionada à preservação do regime de não supervisão nuclear e cobrou o retorno às negociações. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou está disposta a contribuir para a resolução da crise, inclusive no Conselho de Segurança da ONU.
Por Sputnik Brasil
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