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BC reforça foco na meta de inflação e alerta para desafios nas expectativas
Diretor Nilton David destaca que o Banco Central não mira expectativas, mas reconhece impacto delas na condução da política monetária
O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, afirmou nesta quinta-feira, 5, que a instituição tem como objetivo a meta de inflação, e não de expectativas. Segundo ele, “o fato é que a expectativa tende a complicar a minha busca pela meta de inflação”.
Nilton ressaltou, de forma bem humorada, que "a política monetária funciona até para quem não acredita", repetindo uma frase já dita em outros benefícios.
De acordo com o diretor, a formação das expectativas de inflação no Brasil segue tendência semelhante à que foi apontada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI): países que enfrentarão inflação elevada por longos períodos tendem a ser mais sensíveis à inflação corrente.
"Isso é um pouco de passado que talvez demore para se ajustar. E vamos conviver com isso. Se a inflação estiver em 3%, a expectativa fica em 3% e, após quatro, cinco, seis anos assim, imagino que em algum momento a expectativa vai voltar ao normal. É preciso um pouco de paciência", declarou Nilton durante o evento "LATAM Macro Conference 2026", promovido pela Goldman Sachs, em São Paulo.
Sem conforto com o cenário
O diretor enfatizou que “não há conforto com nada” em relação à inflação e que o Comitê de Política Monetária (Copom) está atento a todos os indicadores. Embora a queda recente da inflação seja positiva, Nilton alertou que o horizonte relevante para o BC é de 18 meses, período que pode ir além de uma eventual baixa temporária.
"Com esse nível de juros, e sinais mais claros da propagação da política monetária, o esperado é que haja convergência. Não adianta imaginar que vou trazer a inflação para 3% se estiverem acima do potencial. Se a pressão pela demanda, é natural que não permaneça em 3%. Esse é o ponto", explicou.
Nilton lembrou ainda que, em 2025, o BC ajustou o hiato ao longo do ano, diante de um crescimento econômico mais forte do que o previsto. "Se a economia está acima do potencial e há aumento da demanda, isso se torna um ponto de atenção. Estamos no curso correto? Apesar do aumento das rendas, o crédito também cresceu e as pessoas estão mais individualizadas. Isso desde junho do ano passado", afirmou.
O diretor ponderou, por fim, que mesmo com a taxa Selic em 15% ao ano, o Brasil registra atualmente o maior nível de emprego, o menor desemprego e renda elevada.
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