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Falta de planejamento sucessório ameaça continuidade de empresas familiares, afirma especialista

Assessoria 05/03/2026
Falta de planejamento sucessório ameaça continuidade de empresas familiares, afirma especialista
Falta de planejamento sucessório ameaça continuidade de empresas familiares, afirma especialista

A sucessão patrimonial tem se consolidado como um dos principais riscos para famílias empresárias e de alta renda no Brasil e no mundo. Uma pesquisa da Deloitte Private com 300 executivos de empresas familiares mostra que quase 8 em cada 10 (78%) esperam uma transição de CEO na próxima década, e 42% preveem essa mudança em apenas três a cinco anos. Apesar disso, o levantamento evidencia um “paradoxo da sucessão”: embora 85% reconheçam que o planejamento estratégico da sucessão é fundamental para o sucesso de longo prazo, apenas 57% estabeleceram um plano formal e menos de um quarto (23%) está implementando-o ativamente.

Além disso, 30% admitem que o planejamento sucessório está atrasado. No Brasil, onde, segundo o IBGE, 90% das empresas são comandadas por famílias, a ausência de organização estruturada amplia os riscos de descontinuidade, conflitos e perda de valor ao longo das gerações. Com isso, a sucessão passa a ocupar espaço estratégico na gestão patrimonial. O envelhecimento da geração fundadora de empresas familiares, aliado ao aumento da longevidade e à convivência simultânea de múltiplas gerações, amplia a complexidade das decisões e exige maior nível de organização e governança.

Para Daniel Mazzasócio-fundador da MZM Wealthmulti family office especializado em planejamento financeiro e gestão patrimonial, a sucessão deve ser tratada como tema central da estratégia patrimonial. “Adiar o planejamento sucessório aumenta riscos de forma exponencial. Conflitos familiares e indefinições costumam destruir mais valor do que crises econômicas, porque atingem diretamente a estrutura de decisão e a coesão entre herdeiros”, afirma.

O assunto tem se tornado mais presente no debate empresarial em um contexto de maior diversificação dos patrimônios, que hoje incluem empresas operacionais, imóveis, ativos financeiros e investimentos no exterior, além de maior exposição a potenciais conflitos societários e familiares. A ausência de definições claras sobre regras de transição, critérios de liderança e divisão de ativos pode ampliar incertezas e impactar a continuidade dos negócios.

Segundo o executivo, governança e organização são instrumentos de preservação de longo prazo. “Uma sucessão bem planejada protege relações, reduz incertezas e preserva ativos. Quando o processo é estruturado com antecedência, integrando aspectos jurídicos, financeiros e familiares, o patrimônio atravessa gerações com mais estabilidade e continuidade”, conclui.