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Volkswagen adota postura cautelosa diante de incertezas e avalia expansão no Brasil
Apesar de fábricas operando a pleno vapor e crescimento acima da média, montadora freia planos de aumento de produção por cenário econômico e concorrência chinesa.
Com todas as unidades fabris operando em capacidade máxima, a Volkswagen no Brasil adota uma postura de cautela quanto à ampliação de sua produção. O cenário de incertezas econômicas e o avanço dos veículos chineses no mercado nacional são fatores que pesam na decisão da montadora.
No último ano, as vendas da Volkswagen cresceram 9% no Brasil — desempenho três vezes superior ao da média da indústria automotiva local. As exportações subiram 29% e a produção totalizou 538,7 mil veículos, alta de 17% em relação ao ano anterior.
Durante apresentação dos resultados nesta quarta-feira (4), o presidente e CEO da Volkswagen no Brasil, Ciro Possobom, destacou que a empresa poderia ter vendido ainda mais, caso fosse possível aumentar a produção. No entanto, Possobom ressaltou que isso não significa, necessariamente, que a companhia pretenda abrir novos turnos ou expandir fábricas neste momento.
Segundo o executivo, um dos fatores que contribuíram para o bom desempenho financeiro da Volks foi a redução dos estoques nas concessionárias ao menor patamar possível. Com menos veículos parados nos pátios, a empresa evitou conceder descontos elevados a clientes frotistas, como locadoras, preservando suas margens de lucro.
A estratégia, segundo Possobom, é manter o equilíbrio entre volume de vendas e rentabilidade, que resultou em maior lucratividade nos últimos anos. Para ele, só faz sentido ampliar a produção caso haja plena confiança no crescimento da economia brasileira.
Essa confiança, porém, é abalada por fatores como as incertezas políticas típicas do período pré-eleitoral e as taxas de juros ainda elevadas, que impactam setores dependentes de crédito. “Os juros estão extremamente altos”, apontou o CEO.
Outro ponto de atenção é o avanço das montadoras chinesas no Brasil. Embora não tenham sido renovadas as cotas para importação de híbridos e elétricos finalizados em território nacional sem imposto de importação, Possobom observa que a pressão por novos incentivos fiscais persiste. “Se continuar dando isenções, também não ajuda o negócio”, afirmou.
As vendas de carros importados saltaram de 200 mil para 500 mil unidades no último ano. Para Possobom, incentivar modelos de produção com baixa nacionalização é comparável a abrir as portas a um ‘Cavalo de Troia’: pode parecer vantajoso no curto prazo, mas traz consequências econômicas e sociais negativas a longo prazo.
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