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Lula afirma que ONU perde credibilidade ao ceder à lógica da guerra

Presidente critica ataques a Gaza, destaca inação da ONU em conflitos e defende mudança de prioridades globais

04/03/2026
Lula afirma que ONU perde credibilidade ao ceder à lógica da guerra
Lula afirma que ONU perde credibilidade ao ceder à lógica da guerra - Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar, nesta quarta-feira (4), os ataques de Israel na Faixa de Gaza e afirmou que a Organização das Nações Unidas (ONU) está ficando “desacreditada”. A declaração ocorreu durante a abertura da 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

“Compensa destruir Gaza, matar a quantidade de mulheres e crianças que mataram, para depois aparecer com pompa criando um conselho para dizer: vamos reconstruir a casa?”, questionou Lula. "Parece que se fosse um resort para passar férias em um lugar onde ainda estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram."

Segundo Lula, a ONU estaria perdendo orientação por não cumprir os princípios estabelecidos em sua carta de criação, em 1945. Para o presidente, a entidade cede à lógica dos conflitos e deixa de abrir espaço para iniciativas de paz. Ele também questionou por que a organização ainda não convocou uma conferência mundial para debater os principais conflitos internacionais em curso.

Ao comentar a guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula afirmou que o conflito já se estende por quatro anos, embora, em sua avaliação, tenha sido claro sobre como ele deve terminar. "Por que a guerra entre Rússia e Ucrânia já dura quatro anos, quando todo mundo sabe como ela vai terminar? Quem é que não sabe o que vai acontecer?", disse. "(Vladimir) Putin vai ficar com o que já conquistou, (Volodymyr) Zelensky vai acabar se contentando com o que perdeu e vai haver um acordo. Se é isso, por que não fazem logo? Ou seja, a gente naturalizou esse tipo de coisa."

Lula também criticou declarações do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que líderes mundiais costumam destacar o poder militar em vez da capacidade produtiva. Segundo o presidente, ao invés de focar na força bélica, os países poderiam ressaltar sua capacidade de produzir e distribuir alimentos. Ele defendeu que o combate à fome depende de mudança de prioridades , já que “os pobres do mundo permanecem invisíveis” às burocracias e lideranças políticas globais.

O presidente ainda fez críticas ao mercado financeiro. Para Lula, a lógica dominante ignora problemas sociais e transfere os custos das crises para uma população mais pobre. Ele afirmou que se os governos permanecerem subordinados apenas às dinâmicas do mercado, as desigualdades não serão resolvidas. "Se a gente continuar subordinado apenas às ações do mercado, nada se resolver. O mercado começa o dia 1º de janeiro preocupado com o teto fiscal e termina o dia 31 de dezembro preocupado com o déficit fiscal", concluiu.