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'Setor digital precisa estar na estratégia de defesa', diz analista de agência brasileira (VÍDEOS)
A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), lançou o edital "Soluções de Startups para o Setor de Defesa" do Projeto Extraordinário: Complexo Industrial de Defesa e Segurança Pública, que tem como meta o desenvolvimento brasileiro na área.
O certame, destinado a startups e empresas de médio porte em fase de crescimento, tem como prêmio o valor de R$ 150 mil, que será dividido em dez premiações de R$ 15 mil para as duas melhores propostas de cada segmento: Veículos Remotamente Pilotados (VANTs), Cibernética, Têxtil Técnico, Aeroespacial e Naval.
A ideia desse programa já vinha sendo planejada, conforme foi adiantada pelo presidente da instituição, Ricardo Cappelli, em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil. Além da premiação às startups, o objetivo é integrar os projetos com aplicabilidade à Base Industrial de Defesa e Segurança Pública (BIDS) e às Forças Armadas, como explica Karen Leal, analista de Produtividade e Inovação da ABDI.
A inclusão de startups no mercado pode diversificar o setor de defesa brasileiro, historicamente composto por grandes empresas, e com isso dinamizar o ecossistema produtivo.
"Com o edital, a gente quer aproximar as startups, que têm muito mais agilidade por já terem essa expertise digital, das grandes empresas e demandantes de tecnologia, para diminuirmos a nossa dependência externa tecnológica. Por isso, buscamos fazer essa conexão para fortalecer a indústria brasileira de defesa", disse.
A analista também explica que focar em soluções referentes à segurança cibernética é muito importante, principalmente em um cenário internacional conturbado, portanto, pensar em soberania digital também é desenvolver estratégias de defesa.
"Não dá para a gente falar do bélico sem também trazer o digital, que também é bélico. Nós vemos o uso maciço de drones no mundo. O digital precisa estar dentro da estratégia de defesa, e as Forças Armadas precisam se equipar e não podem deixar de olhar para o que a gente chama de cibersegurança, comando, controle e comunicações.", pontua.
Brasil e o setor de defesa
Em paralelo, esse incentivo da ABDI, como prevê Karen Leal, pode representar também uma diversificação tecnológica e a capacidade inventiva em setores considerados estratégicos, que precisam se expandir através da criação de soluções alternativas para que o Estado brasileiro não fique sempre dependente da importação de armamentos e outros itens militares.
"Os cinco setores do nosso edital estão conectados com o Governo Federal na questão de estratégia nacional de defesa. Quando a gente coloca um pouco de foco nesses setores, a gente diz para o mercado que é possível desenvolver tecnologia por parte das startups para trazer velocidade para setores tão estratégicos para o país", comentou.
Nesse contexto, a ABDI acredita que as startups possam se consolidar no mercado e sejam capazes de atender prontamente a demandas de empresas privadas e investidores, ou até mesmo integrar projetos específicos em cooperação com o Governo Federal ou Forças Armadas nesse campo.
"O nosso objetivo é ser uma vitrine tecnológica para essas startups. Além da premiação prevista, essas empresas vão expor as suas soluções na Expo Defense, em Santa Catarina, em maio. Nesse evento de defesa, terá muita gente do governo, muitos compradores e muitas instituições que estão de olho nessas tecnologias", projeta.
Investimento em Defesa estimula a economia
A ABDI atua para o avanço do Complexo Industrial de Defesa e Segurança Pública e também tem como princípio proporcionar incentivos ao crescimento industrial brasileiro. Dessa forma, a analista da agência destaca que o aquecimento do setor de defesa também é benéfico para o fortalecimento da economia nacional como um todo.
"O setor de defesa é o que a gente chama de catalisador, ele é um impulsionador econômico em todos os países, principalmente quando a gente fala de desenvolvimento tecnológico, ele tem muita dualidade, não só na aplicação no militar, mas como na esfera civil. Então, investir em defesa é também pensar na economia como um todo", finalizou Karen.
Com o cenário internacional cada vez mais turbulento, a inovação no setor de defesa acaba se tornando crucial tanto para o desenvolvimento militar, para garantir a soberania do país, quanto para a sociedade civil, já que a cadeia produtiva desse tipo de indústria abrange múltiplas áreas que podem contribuir para o crescimento de outros segmentos.
Por Sputinik Brasil
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