Geral
Ibovespa avança em meio à recuperação global, mas guerra mantém cautela
Índice brasileiro acompanha bolsas internacionais, mas volatilidade persiste diante das incertezas geopolíticas e econômicas.
O Ibovespa abriu em alta nesta quarta-feira (4), acompanhando a recuperação das bolsas ocidentais após recentes quedas motivadas pela guerra no Oriente Médio. O movimento reflete o clima de ruptura no exterior, embora o futuro do conflito siga como fator de cautela para os investidores.
Após iniciar o dia com valorização próxima a 1%, o petróleo Brent reverteu para o campo negativo, enviando alguns papéis do setor petroleiro na B3. Na véspera, a commodity havia disparado 9,5%, atingindo US$ 85 o barril durante a sessão.
No câmbio, o dólar à vista e futuro recuam frente ao real, o que também se reflete nos juros futuros. Apesar do ambiente menos tenso, permaneceram as receitas de escalada nos conflitos entre Estados Unidos e Irã, com relatos de conversas indiretas entre autoridades dos dois países.
Fontes citadas pelo The New York Times afirmaram que agentes do Ministério da Inteligência do Irã procuraram, ainda que de forma indireta, a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) para dialogar sobre possíveis termos para encerrar o conflito.
O comportamento dos mercados também repercutiu declarações feitas ontem pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu acionar a Marinha norte-americana para escoltar navios-tanque pelo Estreito de Ormuz, caso necessário. Segundo Trump, o abastecimento mundial será garantido “custe o que custar”.
No Brasil, a agenda de indicadores segue vazia. Nos EUA, o relatório ADP de emprego foi divulgado, mas sem impacto imediato nos mercados. Mais tarde, será publicado o Livro Bege.
"Acredito que é um rebote que as bolsas do mundo estão experimentando hoje. O preço do petróleo virou para queda, o gás natural também. Nenhum novo evento em si, ainda segue a tensão com a guerra", avalia Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.
Apesar do rompimento momentâneo, as incertezas persistem, especialmente quanto aos impactos da guerra na economia global, inflação e política monetária. O Federal Reserve (Fed) pode manter os juros no atual patamar de 3,50% a 3,75% por mais tempo. No Brasil, cresce a expectativa sobre o primeiro corte da Selic, prevista para este mês, e sobre o ritmo do ciclo de reduções.
“O nervosismo e a instabilidade recentes colocaram em dúvida o ritmo do corte da Selic em março, algo que dependerá da evolução dos fatos até a decisão no dia 18”, afirma Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria.
Segundo o especialista, a curva de juros tende a ficar mais dividida. “Ontem, o menor ritmo do PIB e do Caged reforçam fundamentos desenvolvidos ao corte de 50 pontos-base, mas a pressão no câmbio e no petróleo fazem o contraponto”, acrescenta em nota.
Ontem, o Ibovespa encerrou em baixa de 3,28%, aos 183.104,87 pontos, acumulando perdas de 3% em março. Em Dalian, na China, a mineração de ferro subiu 0,40%, enquanto o petróleo Brent recuava 0,69% às 10h55.
Pela manhã, o Ibovespa avançou 1,06%, para 185.040,70 pontos, após atingir máxima de 1,75% (186.306,18 pontos) e mínimo de 183.110,02 pontos.
Entre os destaques, a Vale subia 0,69%, enquanto a Petrobras recuava entre 1,03% (PN) e 0,54% (ON). Os papéis de bancos também registraram alta, com Unit do BTG Pactual avançando até 2,70% e Unit do Santander, 1,53%.
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