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Xisto dos EUA não reage a tempo e crise no golfo ameaça disparar preço do petróleo

Produtores americanos afirmam que levariam meses para ampliar oferta diante da escalada de tensão no Oriente Médio, enquanto analistas projetam barril acima de US$ 100.

Por Sputnik Brasil 04/03/2026
Xisto dos EUA não reage a tempo e crise no golfo ameaça disparar preço do petróleo
Produção de xisto nos EUA não consegue responder à crise no golfo, elevando risco de alta no preço do petróleo. - Foto: © AP Photo / Keith Srakocic

A escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã revelou uma limitação do xisto americano em responder rapidamente à crise: produtores declarados que seriam necessários meses para ampliar a oferta, enquanto a tensão no golfe ameaça retirar milhões de bairros do mercado e aumentar os preços acima de US$ 100.

Produtores de xisto dos EUA alertam que não conseguem aumentar a produção com rapidez suficiente para compensar o impacto da guerra iniciada por Donald Trump contra o Irã. Segundo o Financial Times , Scott Sheffield, veterano do setor, afirmou que qualquer expansão significativa levaria meses e só aconteceria se os preços do petróleo se mantivessem elevados por um longo período.

Após um ano marcado por cortes, paralisação de plataformas e demissões devido a preços baixos, as empresas ainda buscam recuperação. Mesmo com a alta recente acima de US$ 80 (R$ 527), os produtores preferem direcionar o fluxo de caixa extra para reduzir dívidas e remunerar acionistas, em vez de retirar perfurações. Sheffield também destacou à mídia britânica que muitas companhias já enfrentam escassez de áreas economicamente viáveis ​​para exploração.

A intensificação do conflito no Oriente Médio — incluindo ataques dos EUA e Israel, a morte do aiatolá Ali Khamenei e ameaças iranianas de fechar o estreito de Ormuz — focada no fechamento de campos no Iraque e instalações no Catar, aumentando o temor de limites no global. Analistas como Goldman Sachs e Wood Mackenzie alertam que um bloqueio prolongado pode elevar o barril para além de US$ 100 (R$ 527,55).

Apesar do cenário, o governo Trump mantém um discurso otimista, afirmando que o abastecimento mundial está garantido. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que o xisto norte-americano poderia adicionar até 400 mil barris por dia no segundo semestre, volume pequeno diante dos 20 milhões de barris exportados diariamente pelo golfe.

Especialistas ressaltam que a produção dos EUA, atualmente em 13,6 milhões de barris por dia, deve cair este ano, e reverter essa tendência exigida por meses, mesmo com preços elevados. Os Produtores da Bacia Permiana afirmam que só voltariam a investir com preços obtidos em torno de US$ 75 (R$ 395,76) por pelo menos um ano.

Os investidores também demonstram cautela, avaliando que o conflito pode ser breve e que a alta atual dos preços não justificaria novos transportes. Os produtores só reagiram a um aumento mais extenso e lucrativo por barril.

Ainda que não consiga aliviar rapidamente a crise global, o xisto norte-americano segue protegendo os consumidores dos EUA de choques mais severos. Como observa Daniel Yergin à imprensa, sem essa produção, o mundo enfrentaria um cenário de pânico nos preços do petróleo.