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Ameaças à Espanha corroem a influência dos EUA na Europa, afirma especialista
Especialista aponta que postura agressiva de Washington enfraquece alianças e fortalece debate sobre autonomia militar europeia.
A recusa da Espanha em apoiar a ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã evidencia o desgaste da influência de Washington na Europa, após um ano marcado por ameaças comerciais do governo Trump, e amplia as tensões que envolvem desde a cooperação militar até a defesa de um exército europeu próprio.
Segundo o especialista em relações internacionais Daniel Muñoz, o uso frequente de ameaças pela política externa norte-americana tem corroído sua influência no continente europeu, contexto que explica o atual impasse com a Espanha. A declaração foi dada à Sputnik.
Muñoz avalia que a resposta europeia ao pedido de apoio de Washington à sua ofensiva contra o Irã foi menos contundente do que o esperado, em razão do impacto negativo causado pelas ameaças comerciais do presidente Donald Trump ao longo do último ano.
De acordo com o analista, "o uso da força, o uso de ameaças, foi muito subestimado. É o recurso com o qual ele acredita que imporá sua agenda. Ele praticamente se esqueceu da diplomacia como parte de sua estratégia de política externa".
Para Muñoz, uma eventual ruptura comercial entre Estados Unidos e Espanha traria duas consequências imediatas: a perda de um aliado geoestratégico importante no Mediterrâneo, especialmente em um momento em que as Forças Armadas espanholas poderiam ser obrigadas a se retirar do golfo Pérsico.
Além disso, o apoio da Comissão Europeia à Espanha diante da ameaça comercial dos EUA pode fortalecer os apelos para a criação de um exército europeu, reduzindo a dependência militar em relação a Washington — uma proposta defendida por Madri desde a formação do chamado Conselho da Paz.
"A grande vantagem de uma economia como a espanhola é que não age unilateralmente. É uma economia apoiada pela União Europeia e por outros 26 Estados-membros. Isto significa que, em última análise, os efeitos desta potencial ruptura nas relações seriam mais retóricos do que práticos", argumenta Muñoz.
Por Sputnik Brasil
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