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Dólar fecha em alta a R$ 5,16 em meio à tensão entre EUA e Irã
Moeda chegou a R$ 5,21 pela manhã, mas recuou após moderação no sentimento de risco. Conflito no Oriente Médio e alta do petróleo influenciam cenário.
O dólar à vista encerrou esta segunda-feira (2) em alta de 0,62%, cotado a R$ 5,1659, após atingir R$ 5,21 pela manhã diante da aversão a risco provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Segundo operadores do mercado financeiro, o clima negativo foi moderado ao longo da tarde, com investidores avaliando a possibilidade de o conflito não se intensificar.
O real foi destaque entre as moedas mais expostas ao preço do petróleo — que saltou mais de 6% no dia, de acordo com cálculos do JPMorgan. O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, destacou que houve uma redução na aversão a risco à medida que o pregão avançou. "Acho que é a percepção de que talvez possa haver algum tipo de diálogo, se é que dá para falar em diálogo depois de tantas agressões. Mas talvez a percepção de que as coisas podem não escalar além do nível que já se escalou", avaliou.
Na mesma linha, o diretor de investimentos da Nomos, Beto Saadia, afirmou que "conforme o tempo passa e a guerra não escala, o mercado vai se normalizando".
Em meio às tensões, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, declarou que não há planos para a aliança se envolver no conflito. Já o embaixador do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, afirmou que o país não deseja a escalada das tensões.
Galhardo ressaltou ainda que o índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas, também perdeu força, assim como o petróleo. O contrato Brent para maio chegou a subir quase 10% e fechou com alta de 6,68%, a US$ 77,74 por barril.
O foco do mercado permanece no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. Marcus DElia, sócio da Leggio Consultoria, alertou que, se o conflito fechar o Estreito por mais de 40 dias, poderá faltar petróleo globalmente.
Apesar dos riscos, alguns analistas veem o real como potencial beneficiário caso o rali do petróleo persista, já que o Brasil é exportador líquido de commodities. O JPMorgan aponta que a moeda brasileira é a terceira mais exposta à valorização do petróleo.
Para o economista sênior do Inter, André Valério, o real pode se valorizar em breve, caso o preço do petróleo continue subindo. O governo brasileiro já calcula que um aumento sustentado do barril para US$ 85 pode elevar as receitas orçamentárias de 2026 entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões.
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