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Irã busca a paz, mas reforça que não impõe limites à própria defesa, diz chanceler
Abbas Araghchi destaca retomada da normalidade interna e início da transição constitucional após morte de Khamenei.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou em entrevista à Al Jazeera que o país "não tem restrições ou limites" em relação à sua defesa, mesmo diante da escalada das tensões regionais após recentes confrontos militares.
Segundo Araghchi, a atual guerra foi resultado de decisões tomadas pelos Estados Unidos e por Israel, que, em sua avaliação, devem ser responsabilizados e pressionados internacionalmente.
O chanceler ressaltou que o Irã está plenamente apto a se defender e declarou ser "impossível" qualquer tentativa externa de modificar a estrutura de poder do país, frisando que a morte de um líder não altera o rumo político iraniano.
Araghchi também assegurou que a situação interna do Irã está voltando à normalidade, com serviços públicos em funcionamento e o Estado operando regularmente.
"Não estamos atacando nossos vizinhos no golfo Pérsico; estamos atacando a presença norte-americana nesses países", explicou o ministro.
O chefe da diplomacia iraniana informou ainda que o Irã iniciou neste domingo um processo constitucional de transição após a morte do líder supremo Ali Khamenei. Um Conselho de Transição foi criado para administrar o país temporariamente, composto pelo presidente, pelo chefe do poder Judiciário e por um jurista do Conselho dos Guardiães.
Esse grupo assume, de forma provisória, as funções da liderança até a escolha de um novo líder supremo pela Assembleia de Peritos, conforme determina a Constituição iraniana.
Araghchi indicou que a escolha do novo líder pode ocorrer em breve. "Presumo que leve um curto período de tempo. Talvez em um ou dois dias elejam um novo líder para o país", afirmou, destacando que todo o processo segue conforme o sistema legal do Irã.
O ministro classificou o assassinato de Khamenei como "um ato muito grave e sem precedentes" e uma "violação flagrante do direito internacional", alertando que o episódio pode tornar a confrontação regional ainda mais complexa e perigosa.
Ele também criticou Washington, afirmando que o Irã sempre esteve aberto à diplomacia, "ao contrário da América, que nos atacou pela segunda vez durante as negociações", em referência a conversas que, segundo ele, ainda estavam em andamento.
De acordo com Araghchi, unidades das Forças Armadas iranianas continuam atuando de forma independente, seguindo diretrizes previamente estabelecidas, e contra-ataques iranianos a bases norte-americanas na região teriam levado forças dos EUA a iniciarem processos de evacuação.
Por Sputnik Brasil
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