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Taxas fecham de lado, digerindo alta dos Treasuries e cenário eleitoral

25/02/2026
Taxas fecham de lado, digerindo alta dos Treasuries e cenário eleitoral
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Mesmo com drivers que poderiam acelerar a queima de prêmios de risco nos juros futuros, a melhora dos DIs foi tímida no pregão desta quarta-feira, 25. Agentes avaliam que a pesquisa Atlas/Bloomberg que mostrou empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez menos preço hoje, uma vez que rumores sobre ela já circulavam nas mesas de renda fixa nesta terça, 24.

Também podem ter contribuído para postura mais cautelosa dos investidores o leilão de prefixados do Tesouro Nacional, a ser realizado nesta quinta, 26, que deve trazer novamente oferta relevante, assim como a espera pela divulgação do IPCA-15 de fevereiro, a ser conhecido nesta sexta-feira, 27. Nos EUA, os rendimentos dos Treasuries subiram, o que também limitou a queda das taxas futuras.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,221% no ajuste de ontem para 13,24%. O DI para janeiro de 2029 aumentou de 12,567% no ajuste anterior a máxima intradia de 12,595%. O DI para janeiro de 2031 fechou em 13,005%, exatamente igual ao ajuste precedente.

Um gestor de renda fixa de uma grande Asset aponta que a sessão de hoje não mostrou a melhora esperada por ele nos DIs, tendo em vista o ambiente externo mais positivo e, por aqui, denúncias que poderiam enfraquecer o governo e a pesquisa Atlas. Segundo o site Metrópoles, dois servidores do INSS estão em processo de delação premiada sobre o esquema de fraudes no instituto e entregaram o filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva.

A enquete da Atlas/Bloomberg, por sua vez, divulgada pouco antes da abertura do pregão, apontou redução de 3,8 pontos nas intenções de voto do petista e avanço de 2,9 pontos de Flávio Bolsonaro no principal cenário de primeiro turno. Nesta hipótese, o atual presidente tem 45%, contra 37,9% do filho de Jair Bolsonaro.

No principal confronto de segundo turno testado, 46,3% dos entrevistados afirmaram que votariam em Flávio, ante 46,2% em Lula, configurando um empate técnico. Frente ao levantamento anterior, o presidente caiu 3 pontos, e seu oponente subiu 1,4 ponto. O efeito da pesquisa, limitado desde sua publicação, com recuo de até 5 pontos nos vértices longos, foi praticamente apagado no início da tarde.

"Achei que a curva iria andar um pouco hoje, mas não vejo nada no radar. Pode ser um misto de antecipação da pesquisa ontem, que gerou alguma ressaca hoje", disse o gestor à Broadcast, acrescentando que pode ser mais interessante esperar para apostar em queda dos juros. Além da prévia da inflação oficial e de outra pesquisa eleitoral no radar, ele cita o leilão de prefixados a ser realizado amanhã pelo Tesouro Nacional, que deve ser robusto, a exemplo dos últimos certames.

Estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz observa que o cenário mais vantajoso para Flávio, candidato favorito da Faria Lima, já estava sendo ventilado ontem pelos participantes do mercado, o que pode ter reduzido o efeito do levantamento sobre a curva de juros nesta quarta. "Já tem mais gente avaliando que o presidente Lula não vai vencer as eleições. Mas ainda há muita dúvida sobre Flávio", pondera.

Cruz destaca que aspectos negativos do candidato, devido à sua relação com o pai - que tem elevado índice de rejeição entre o eleitorado -, ainda não foram explorados pela campanha petista, dado que o momento ainda não parece oportuno. Também observa que medidas de estímulo implementadas pelo governo atual, tais como a isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais até R$ 5 mil, entre outros, ainda não surtiram efeito sobre a demanda.

Nos EUA, os retornos dos Treasuries subiram na medida em que o mercado passou a apostar que o ciclo de cortes dos juros será retomado pelo Federal Reserve (Fed) somente em julho, diante de maiores incertezas sobre a política comercial do país, o que também acabou por enfraquecer o recuo dos Dis.

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