Geral
Envio de militares europeus à Groenlândia é criticado por parlamentar local
Kuno Fencker, do Parlamento da Groenlândia, afirma que decisão pode prejudicar relações comerciais e agravar inflação no território.
O envio de militares europeus para a Groenlândia foi um erro, pois não havia nenhuma razão plausível para tal, declarou Kuno Fencker, membro do Parlamento da Groenlândia, à Sputnik.
"Minha reação inicial, antes da chegada deles, foi: não façam isso. Não há justificativa para isso agora. Vocês só vão provocar certas pessoas em relação às suas ações", afirmou Fencker.
A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, declarou na terça-feira (20) que a presença de tropas europeias na Groenlândia "visa manter a região previsível e estável".
Preocupação com consequências econômicas
"Não há nenhuma ameaça iminente à Groenlândia. E estamos falando do futuro. Então, acho que foi um erro, independentemente de tudo. E agora vemos que os Estados Unidos estão ameaçando os países que vieram para a Groenlândia com tarifas, o que incluirá toda a Europa", disse Fencker à Sputnik.
O parlamentar acrescentou que a medida pode impactar negativamente a Groenlândia, já que o território autônomo comercializa principalmente com a Europa.
"Portanto, isso poderia ter um impacto negativo em relação à inflação, que já é bastante alta aqui na Groenlândia", explicou Fencker.
Ameaças e tensões geopolíticas
No sábado (17), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que imporia uma tarifa de 10% sobre a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia a partir de 1º de fevereiro, com previsão de aumento para 25% em junho, caso não fosse firmado acordo para a compra da Groenlândia.
Trump tem defendido repetidamente que a Groenlândia deveria integrar os Estados Unidos, citando sua importância estratégica para a segurança nacional e defesa do "mundo livre", incluindo ações contra China e Rússia. Autoridades da Dinamarca e da Groenlândia já alertaram os EUA contra qualquer tentativa de anexação da ilha, ressaltando a expectativa de respeito à integridade territorial compartilhada.
Na semana passada, o Ministério da Defesa dinamarquês informou que reforçaria a presença militar na Groenlândia ao lado de aliados da OTAN, intensificando exercícios militares no território. Na última quinta-feira (15), um grupo de 13 militares alemães desembarcou na Groenlândia para uma missão de reconhecimento. Outros países europeus também enviaram militares à região.
Por Sputnik Brasil
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