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Taxas de juros sobem com mau humor após suspensão de vistos dos EUA a brasileiros
Decisão dos Estados Unidos de suspender emissão de vistos para brasileiros impacta negativamente os juros futuros na B3, contrariando tendência internacional.
Os juros futuros negociados na B3 ganharam força e aceleraram a alta na segunda metade do pregão, contrariando o movimento dos Treasuries americanos, cujos rendimentos recuaram nesta quarta-feira, 14.
Segundo agentes de mercado, o avanço dos prêmios de risco nas taxas brasileiras foi impulsionado principalmente pela notícia, divulgada pela manhã, de que os Estados Unidos suspenderiam pedidos de visto para o Brasil. Apesar de outros 74 países também estarem na lista da medida, participantes afirmaram à Broadcast, sistema de notícias do Grupo Estado, que não houve outro fator relevante para a elevação dos DIs nesta sessão.
A curva a termo reagiu pouco à Pesquisa Genial/Quaest, divulgada no mesmo dia, que apontou estabilidade na aprovação do governo Lula e liderança do presidente em todos os cenários de primeiro turno, além de vantagem, embora mais apertada, contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em possíveis segundos turnos.
Após a Fox News informar que Washington interrompeu a emissão de vistos para brasileiros — notícia confirmada pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em sua conta no X por volta das 13h30 —, o ambiente para os juros se deteriorou. "O humor com o Brasil ficou um pouco pior depois dessa notícia", disse um economista de uma grande tesouraria à Broadcast.
Leavitt publicou no X: "Os EUA congelaram todo o processamento de vistos para 75 países, incluindo Somália, Rússia e Irã", com link para um artigo da Fox News Digital detalhando a decisão do governo Trump.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,693% para 13,74%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 12,966% para 13,035%, enquanto o DI para janeiro de 2031 ficou em 13,34%, ante 13,29% no ajuste anterior.
De acordo com André Muller, economista-chefe da AZ Quest Investimentos, inicialmente a suspensão dos vistos foi interpretada como uma possível sanção dos EUA ao Brasil, afetando tanto os juros futuros quanto o câmbio. Mais tarde, apenas os DIs mantiveram alta acentuada, enquanto o dólar estabilizou, mas voltou a acelerar no fim do pregão.
"A suspensão está mais relacionada à questão de imigrantes que chegam aos Estados Unidos e utilizam o sistema de assistência social americano. Não tem muito a ver com sanções ou geopolítica", ponderou Muller. Ele destacou ainda que a baixa liquidez pode ter amplificado o movimento dos juros.
Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, reforçou que, além da notícia sobre os vistos, não houve outros dados relevantes que influenciassem os juros futuros nesta quarta-feira. "De manhã, o que afetou os juros foi a notícia dos vistos. Depois não teve mais nada", comentou.
Nos EUA, por volta das 18h, o rendimento da T-Note de 2 anos caía para 3,518%, a T-Note de 10 anos recuava a 4,143% e o T-Bond de 30 anos diminuía para 4,793%. O movimento refletiu uma maior aversão ao risco global, com investidores buscando ativos mais seguros em meio ao ambiente geopolítico tenso. No início do pregão, os juros brasileiros chegaram a acompanhar a tendência americana, mas o alívio foi temporário.
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