Geral
Vacina contra herpes-zóster não será incluída no SUS, decide Conitec
Ministério da Saúde mantém decisão de não incorporar imunizante para imunocomprometidos e idosos com 80 anos ou mais na rede pública, alegando custo elevado.
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde publicou portaria confirmando a decisão de não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra herpes-zóster para imunocomprometidos a partir dos 18 anos e idosos com 80 anos ou mais. A medida foi oficializada na segunda-feira, 12, por publicação no Diário Oficial da União.
O posicionamento mantém a negativa apresentada no relatório preliminar da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), divulgado em julho do ano passado. Após o relatório, o tema passou por consulta pública entre setembro e outubro, que recebeu 8.797 contribuições antes do parecer final.
Na avaliação, a Conitec reconheceu a eficácia do imunizante na prevenção do herpes-zóster, mas destacou que o preço precisaria ser negociado para não comprometer a sustentabilidade orçamentária do SUS.
A análise de impacto orçamentário considerou a oferta máxima de três milhões de doses por ano, suficiente para imunizar 1,5 milhão de pacientes, diante de um universo de 5.456.211 pessoas elegíveis.
Segundo a comissão, o custo para vacinar 1,5 milhão de pacientes no primeiro ano seria de R$ 1,2 bilhão. No quinto ano, a imunização dos 471 mil pacientes restantes teria custo de R$ 380 milhões. "Ao final de cinco anos, o investimento total seria de R$ 5,2 bilhões. Dessa forma, a vacina foi considerada não custo-efetiva", aponta o relatório de agosto.
A vacina analisada para possível inclusão foi a Shingrix, da farmacêutica GSK, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021. Ela é indicada para adultos com mais de 50 anos ou maiores de 18 anos com risco aumentado para a doença, como imunocomprometidos.
A proposta submetida à Conitec previa a destinação da vacina para idosos acima de 80 anos e imunocomprometidos com mais de 18 anos. O imunizante segue disponível apenas na rede privada de saúde.
No sistema público, estão disponíveis atualmente a vacina contra a varicela (catapora) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), ambas indicadas para aplicação na infância, conforme o Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Sintomas de herpes-zóster
Também conhecida como "cobreiro", a herpes-zóster é causada pelo mesmo vírus da catapora, o varicela-zóster. Pessoas que já tiveram catapora podem desenvolver herpes-zóster na vida adulta, especialmente idosos e indivíduos com baixa imunidade, como pacientes com câncer ou HIV.
Os principais sintomas envolvem dor nos nervos, dor de cabeça, mal-estar e manchas avermelhadas na pele com bolhas. A doença pode causar ainda coceira, queimação, sensibilidade e febre baixa. As áreas mais afetadas costumam ser tronco, face, região lombar e pescoço.
No SUS, o diagnóstico é feito por avaliação clínica, e o tratamento visa aliviar a dor e impedir o avanço das lesões. Em casos leves, o manejo é sintomático, com medicamentos e cuidados de higiene das lesões.
Para pacientes com maior risco, como idosos, imunocomprometidos e pessoas com doenças graves, o tratamento no SUS é realizado com o antiviral aciclovir.
Prevenção
O Ministério da Saúde recomenda como principais estratégias de prevenção contra a doença a vacinação, a higiene das mãos após contato com lesões, o isolamento em caso de manifestação da doença e a desinfecção de objetos contaminados com secreções de pacientes com varicela.
Mais lidas
-
1INTERNACIONAL
Crescimento econômico da China deve dobrar o dos EUA em 2026, aponta Academia Russa de Ciências
-
2ALERTA NA ORLA | MACEIÓ
Alerta vermelho em Maceió: engenheiro diz que Ponta Verde pode estar afundando; vídeo
-
3ENERGIA NUCLEAR
Financiamento nuclear do BRICS liderado pelo Brasil pode reequilibrar acesso a tecnologias
-
4PALMEIRA DOS ÍNDIOS
Prefeitura regulamenta rateio das sobras do FUNDEB e professores cobram transparência nos valores
-
5MUDANÇA TRIBUTÁRIA
Emissão de NFS-e e ISSQN será feita exclusivamente pelo site do Governo Federal a partir de 2026