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Golpes com precatórios se intensificam no início do ano e acendem alerta para credores
Pessoas que aguardam o pagamento de valores reconhecidos pela Justiça estão entre os principais alvos de criminosos no início do ano
São Paulo, janeiro de 2026 – O começo do ano costuma ser marcado por uma sequência de despesas obrigatórias, como impostos, contas acumuladas e gastos escolares. Em um cenário de orçamento mais apertado, cair em um golpe financeiro pode ter consequências ainda mais graves. Quem tem precatórios a receber precisa redobrar a atenção: criminosos estão se aproveitando da expectativa em torno do pagamento desses créditos e da divulgação de rodadas de acordos em diferentes estados para aplicar fraudes cada vez mais elaboradas, mirando valores elevados.
O alerta é do escritório Scolari Neto & Oliveira Filho Advogados, especializado em precatórios, que identificou um crescimento expressivo nos casos desse tipo de golpe nos últimos meses. Segundo o escritório, o início do ano tem se mostrado um período especialmente sensível, já que muitos credores veem no recebimento dos precatórios uma forma de aliviar as despesas típicas dessa época.
De acordo com o escritório, o aumento das fraudes tem preocupado não apenas advogados e credores, mas também tribunais e órgãos públicos, que vêm reforçando alertas oficiais. As abordagens fraudulentas costumam ocorrer por telefone, WhatsApp, SMS ou e-mail, canais que não são utilizados pelo Judiciário para tratar da liberação de precatórios. Em muitos casos, os criminosos se passam por servidores de tribunais, representantes do governo ou até advogados, oferecendo uma suposta antecipação de pagamento.
“Para se tornarem mais convincentes, os golpistas estão utilizando documentos falsos que simulam comunicações oficiais dos Tribunais de Justiça, com aparência de extratos processuais ou despachos judiciais”, alerta o advogado Fábio Scolari, especialista em precatórios. “Esses documentos são enviados diretamente às vítimas por aplicativos de mensagens ou e-mail, com linguagem técnica e visual institucional. Só no estado de São Paulo, estimamos que existam cerca de 100 mil credores nessa condição, um público que acaba se tornando alvo recorrente de criminosos especializados nesse tipo de fraude”, afirma.
Segundo o advogado, os criminosos costumam informar que o credor possui um valor a receber em uma ação judicial em andamento, mas alegam que o dinheiro só será liberado mediante o pagamento prévio de custas processuais, taxas administrativas ou até de um suposto recolhimento de Imposto de Renda. “Eles utilizam termos jurídicos, mencionam número do processo, nome do advogado responsável e até dados pessoais do credor, o que torna o golpe altamente persuasivo, especialmente em um momento em que as pessoas estão mais pressionadas financeiramente”, explica.
Scolari reforça que os Tribunais de Justiça não cobram qualquer tipo de taxa antecipada para o pagamento de precatórios, nem entram em contato direto com credores por telefone ou aplicativos de mensagens. Toda comunicação oficial ocorre exclusivamente dentro do processo judicial, e o pagamento é feito diretamente ao credor, na conta indicada nos autos. Quando há descontos legais, como imposto ou honorários advocatícios, eles são realizados automaticamente no momento do pagamento oficial, nunca por meio de transferências avulsas.
Apenas no Scolari Neto & Oliveira Filho Advogados, o número de credores vítimas desse tipo de golpe aumentou cerca de 35% nos últimos meses. As vítimas são, em sua maioria, servidores públicos, pensionistas ou herdeiros que aguardam há anos pelo recebimento de valores já reconhecidos pela Justiça. “São pessoas muitas vezes idosas ou em situação de maior vulnerabilidade, que enxergam no início do ano uma chance de reorganizar a vida financeira. Isso torna o impacto do golpe ainda mais devastador”, acrescenta o especialista.
Outro ponto de atenção, segundo o advogado, é que pedidos de pagamento para contas de pessoas físicas ou solicitações via PIX são indícios claros de fraude. “Qualquer exigência de depósito, transferência ou pagamento imediato para liberar precatórios deve ser encarada como golpe”, alerta.
Caso o credor receba um contato suspeito, a orientação é não realizar nenhum pagamento, não responder à abordagem e guardar todas as evidências, como mensagens, e-mails, números de telefone e comprovantes. “É fundamental confirmar as informações pelos canais oficiais do tribunal, consultar um advogado de confiança, verificar se o profissional citado realmente existe e se está regularmente inscrito na OAB. Em situações mais graves, também é recomendável registrar ocorrência”, finaliza Scolari.
Sobre o Scolari Neto & Oliveira Filho Advogados - Com mais de 30 anos de experiência na efetivação dos direitos dos servidores públicos, o escritório localizado em São Paulo tem como principal missão a defesa dos funcionários públicos em ações judiciais contra o Estado e a Prefeitura de São Paulo. A equipe de advogados é especializada e passa por constante capacitação, com participação em importantes eventos, sempre se atualizando para prestar um serviço de excelência.
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