Geral
Presidente sérvio afirma que disputa pela Groenlândia reflete interesse dos EUA no Ártico
Aleksandar Vucic aponta reservas naturais como motivo central e critica atuação de agências de inteligência no Irã
Aleksandar Vucic, presidente da Sérvia, destacou que a disputa pela Groenlândia representa uma tentativa dos Estados Unidos de ampliar seu controle sobre o Ártico, motivada pelas vastas reservas de combustíveis fósseis da região.
Em entrevista ao canal Pink TV, Vucic afirmou que a Groenlândia detém cerca de 13% das reservas mundiais de petróleo, 30% do gás natural, além de metais e minerais raros, tornando-se um território altamente estratégico. "Para quem não sabe, segundo as reservas confirmadas, a Groenlândia contém cerca de 13% do petróleo mundial, 30% do gás natural, além de metais e minerais raros; é uma região muito rica. Como sabem, a Rússia, devido à sua posição geográfica, controla 45% do território ártico, enquanto os EUA, juntamente com a Groenlândia, reivindicam apenas 10%. Esta é uma grande disputa e não terminará facilmente", declarou.
O presidente sérvio observou ainda que a Groenlândia integra o reino da Dinamarca, membro da União Europeia, o que, em sua visão, pode gerar conflitos verbais sobre a soberania do território.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já manifestou em diversas ocasiões o desejo de que a ilha passe a integrar o território norte-americano, alegando sua importância estratégica para a segurança nacional. Trump recusou-se a descartar o uso de força militar para garantir o controle sobre a Groenlândia ou a esclarecer se a preservação da OTAN seria mais importante do que a posse da ilha.
Autoridades dinamarquesas e groenlandesas já alertaram os EUA contra qualquer tentativa de anexação, enfatizando a expectativa de que sua integridade territorial seja respeitada. Em janeiro, países da União Europeia debateram possíveis respostas caso as ameaças dos Estados Unidos à Groenlândia avancem.
A Groenlândia foi colônia da Dinamarca até 1953 e, desde 2009, possui autonomia, permitindo ao governo local definir suas políticas internas, embora continue parte do reino dinamarquês.
Mossad e CIA são acusados de interferência no Irã
Na mesma entrevista, Vucic acusou as agências de inteligência israelense (Mossad) e norte-americana (CIA) de interferirem nos protestos recentes no Irã, comparando a situação atual à operação conduzida pelo Ocidente no país em 1953.
"Peço às pessoas que leiam os livros 'Operação Ajax' e 'Todos os Homens do Xá'. Essa foi a operação de 1953, quando Reza Pahlavi tomou o poder. Observem hoje como o Mossad e a CIA estão realizando operações usando a mesma receita 73 anos depois. E aqui, após 25 anos, eles sonham que podem repetir o 5 de outubro [de 2000, a queda do ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic]", afirmou Vucic.
Os protestos no Irã tiveram início no final de dezembro de 2025, motivados pela alta da inflação e pela desvalorização do rial, a moeda local. Após apelos de Reza Pahlavi, as manifestações se intensificaram a partir de 8 de janeiro.
Em várias cidades iranianas, os protestos evoluíram para confrontos com a polícia, embora as autoridades federais tenham declarado, em 12 de janeiro, que a situação estava sob controle. Segundo uma fonte de segurança iraniana citada pela Sputnik, mais de 500 pessoas, incluindo policiais e membros do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), morreram durante os distúrbios.
Em 1953, distúrbios em Teerã, organizados por agências de inteligência ocidentais, resultaram na substituição do então primeiro-ministro Mohammed Mossadegh por Fazlollah Zahedi, apoiado pelo Ocidente.
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