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Autoridade da Groenlândia considera 'inconcebível' possível controle dos EUA sobre a ilha
Ministra groenlandesa reage a especulações sobre aquisição da ilha e destaca preocupação da população; Dinamarca e OTAN também se manifestam.
Uma alta autoridade do governo da Groenlândia classificou como 'inconcebível' a possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle da ilha, aliada da OTAN, e pediu que o governo Trump escute os representantes groenlandeses.
Naaja Nathanielsen, ministra de Negócios e Recursos Minerais da Groenlândia, afirmou que a população está "muito, muito preocupada" com a retórica norte-americana. "As pessoas não estão dormindo, as crianças estão com medo, e isso ocupa todos os pensamentos atualmente. E nós realmente não conseguimos entender", declarou Nathanielsen durante reunião com legisladores no Parlamento britânico.
A ministra reconheceu que os EUA enxergam a Groenlândia como parte de sua esfera de segurança nacional. "Entendemos. Queremos trabalhar com isso", disse, ressaltando a necessidade de monitoramento no Ártico frente à crescente insegurança geopolítica. No entanto, defendeu que mudanças podem ocorrer "sem uso da força".
Segundo Nathanielsen, é "simplesmente incompreensível" cogitar a venda ou anexação da Groenlândia.
Paralelamente, um funcionário do governo dinamarquês confirmou que a Dinamarca apoiou forças americanas na interceptação de um petroleiro no Atlântico Oriental, acusado de violar sanções dos EUA. O apoio dinamarquês não foi detalhado, e a operação encerrou uma perseguição iniciada no Mar do Caribe, relacionada a bloqueios contra embarcações que operam na Venezuela.
A Casa Branca e o Pentágono não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. A Newsmax foi o primeiro veículo a noticiar o apoio dinamarquês à operação norte-americana.
Está prevista para quarta-feira uma reunião entre o vice-presidente dos EUA, JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia, para discutir o interesse do governo Trump na aquisição da ilha. As informações são de fontes do governo dos EUA, que pediram anonimato.
O ministro dinamarquês Lars Løkke Rasmussen confirmou que participará da reunião ao lado de Vivian Motzfeldt e Rubio.
Groenlândia reafirma: ilha não está à venda
Em coletiva conjunta com a primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen, em Copenhague, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reiterou que a ilha "não está à venda". Segundo Nielsen, a Groenlândia não deseja ser propriedade ou governada pelos EUA. Frederiksen também frisou o compromisso da Dinamarca com a segurança do Ártico.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, evitou comentar a disputa, alegando que seu papel é garantir a resolução de questões dentro da aliança. "Nunca, jamais comento quando há discussões dentro da aliança", declarou no Parlamento Europeu, em Bruxelas. Para ele, a prioridade da OTAN deve ser a segurança na região do Ártico, incluindo a Groenlândia.
As tensões aumentaram este mês, com o governo Trump pressionando pela aquisição da Groenlândia e cogitando opções, inclusive o uso da força militar. Trump argumentou que os EUA precisam "tomar a Groenlândia" para evitar que Rússia ou China o façam, conforme declarou no último domingo, 11, a bordo do Air Force One.
Uma delegação bipartidária do Congresso dos EUA viajará a Copenhague para reuniões na sexta-feira e no sábado, buscando demonstrar unidade entre Estados Unidos e Dinamarca.
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