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Endividamento e inadimplência recuam em dezembro, mas encerram 2025 acima de 2024

Indicadores mostram leve melhora no fim do ano, mas números ainda superam os registrados no ano anterior, aponta CNC

13/01/2026
Endividamento e inadimplência recuam em dezembro, mas encerram 2025 acima de 2024
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Os brasileiros apresentaram redução nos índices de endividamento e inadimplência na passagem de novembro para dezembro, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar da melhora pontual, ambos os indicadores fecharam 2025 em patamares superiores aos observados em 2024, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

A proporção de famílias com dívidas caiu de 79,2% em novembro para 78,9% em dezembro. No mesmo mês de 2024, o percentual era de 76,7%.

Em relação à inadimplência, a fatia de famílias com contas em atraso recuou de 30,0% para 29,4% entre novembro e dezembro. Em dezembro de 2024, esse índice estava em 29,3%.

O percentual de famílias que declararam não ter condições de quitar dívidas em atraso, permanecendo inadimplentes, também diminuiu, passando de 12,9% em novembro para 12,6% em dezembro. Houve melhora em relação a dezembro de 2024, quando o índice era de 13,0%.

De acordo com a CNC, mesmo com a recente redução, o endividamento acompanhou a elevação da taxa básica de juros, a Selic, ao longo do ano.

"É mais um indício de que precisamos diminuir os juros de maneira responsável. A economia brasileira mostra sinais de consistência, fechando 2025 com inflação, câmbio e emprego melhores do que o esperado; porém, a continuação desses resultados depende diretamente de um ambiente mais favorável à livre-iniciativa, considerando a instabilidade global pela qual passamos", avaliou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, em nota oficial.

A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.

A proporção de famílias com contas em atraso por mais de 90 dias passou de 48,5% em novembro para 48,6% em dezembro, ficando abaixo dos 49,2% registrados em dezembro de 2024.

Já a fatia de famílias comprometidas com dívidas por mais de um ano recuou de 32,1% para 31,8% entre novembro e dezembro. Em dezembro de 2024, esse índice era de 36,3%.

A CNC projeta tendência de queda tanto no endividamento quanto na inadimplência no primeiro trimestre de 2026.

"Esperamos que, ainda no primeiro semestre, o Banco Central entenda a necessidade de trabalhar com uma taxa Selic mais razoável do que a que vemos desde a metade de 2025. O último trimestre foi de bons resultados, muito por conta do 13º salário e das datas festivas, mas há um risco iminente no ciclo de endividamento, principalmente por cartão de crédito, uma bola de neve das dívidas", alertou o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, em nota.