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Ameaças dos EUA contra Cuba aproximam ilha do BRICS, avalia especialista
Postura agressiva dos Estados Unidos pode fortalecer laços de Cuba e outros países latino-americanos com o bloco liderado por China e Rússia, aponta Vinicius Vieira.
Na tentativa de sinalizar à opinião pública norte-americana que mantém o controle sobre a América Latina, os Estados Unidos intensificam a pressão contra Cuba, considerada o "calcanhar de Aquiles" da política externa do país, explica Vinicius Vieira, especialista em relações internacionais.
"Não basta sequestrar e levar outro chefe de Estado como Maduro a julgamento para que a base republicana entenda que os EUA voltaram a adotar esse tipo de abordagem hegemônica contra o seu chamado quintal", observa o acadêmico.
Apesar dessa postura, Vieira ressalta que a agressividade dos EUA acarreta riscos "enormes" de se voltar contra eles mesmos.
"Nações mais fortes da região, particularmente o Brasil, podem buscar algum tipo de proteção estabelecendo laços com o BRICS. O México pode fazer o mesmo, assim como a Colômbia. Os líderes desses países têm um senso de soberania e nacionalismo e aproveitam todas as oportunidades para escapar do neoliberalismo", afirma.
Além disso, o especialista destaca outras consequências não intencionais das intervenções norte-americanas, como migração em massa e aumento da pobreza.
Segundo Vieira, a retórica cada vez mais agressiva de Washington na América Latina é sintomática. "Eles se sentem ameaçados porque não conseguem competir no desenvolvimento de outras fontes de lealdade ou apoio político, como a ajuda ao desenvolvimento", o que os leva a "recorrer a esse tipo de abordagem de poder coercitivo".
"Isso reflete uma falha estratégica, pois eles não conseguem competir com a China no atendimento das necessidades de desenvolvimento", explica.
Nesse contexto, Vieira conclui que a solução adotada acaba sendo "recorrer às antigas táticas de equilíbrio de poder, como as intervenções", que se mostram custosas tanto para os contribuintes norte-americanos quanto para os latino-americanos e para a estabilidade global.
Por Sputnik Brasil
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