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Presidente de Cuba descarta negociações com EUA após ameaças de Trump

Miguel Díaz-Canel afirma que relações só avançam com respeito mútuo e condena pressões americanas após ataque à Venezuela.

12/01/2026
Presidente de Cuba descarta negociações com EUA após ameaças de Trump
Miguel Diaz Canel, presidente de Cuba - Foto: Reprodução

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta segunda-feira, 12, que seu governo não mantém negociações com os Estados Unidos. A declaração foi feita um dia após o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar a ilha caribenha em resposta ao ataque dos EUA à Venezuela.

Díaz-Canel publicou uma série de declarações nas redes sociais após Trump sugerir que Cuba "feche um acordo, antes que seja tarde demais". O presidente americano, no entanto, não detalhou o tipo de acordo pretendido.

Segundo Díaz-Canel, para que "as relações entre os EUA e Cuba progridam, elas devem ser baseadas no direito internacional, e não em hostilidade, ameaças e coerção econômica".

"Sempre estivemos dispostos a manter um diálogo sério e responsável com os diversos governos dos EUA, incluindo o atual, com base na igualdade soberana, no respeito mútuo, nos princípios do Direito Internacional e no benefício mútuo, sem interferência em assuntos internos e com pleno respeito à nossa independência", acrescentou o presidente cubano.

As declarações de Díaz-Canel foram reforçadas pelo ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, que republicou os posicionamentos em suas redes sociais.

No domingo, 11, Trump afirmou que Cuba não viveria mais do petróleo e do dinheiro da Venezuela, país que foi alvo de um ataque dos EUA em 3 de janeiro. A operação resultou na morte de 32 oficiais cubanos e na prisão do ditador Nicolás Maduro.

Antes da ação militar, Cuba recebia cerca de 35 mil barris de petróleo por dia da Venezuela, além de aproximadamente 5,5 mil barris diários do México e cerca de 7,5 mil da Rússia, segundo Jorge Piñón, do Instituto de Energia da Universidade do Texas em Austin.

Apesar dos envios de petróleo venezuelano, apagões generalizados persistem em Cuba devido à escassez de combustível e à precariedade da rede elétrica. Especialistas alertam que a diminuição do fornecimento pode agravar ainda mais as crises enfrentadas pela ilha.

Andy S. Gómez, reitor aposentado da Escola de Estudos Internacionais e pesquisador sênior em Estudos Cubanos na Universidade de Miami, classificou a situação entre EUA e Cuba como "muito triste e preocupante". Para ele, as declarações de Díaz-Canel buscam ganhar tempo para que o governo cubano defina seus próximos passos. "Não vejo Cuba buscando contato com autoridades americanas neste momento", avaliou.

Gómez lembrou ainda que "eles tiveram todas as oportunidades quando o presidente Barack Obama abriu as relações diplomáticas com os EUA, e mesmo assim não ofereceram nem um café cubano". Segundo ele, "Cuba vive tempos desesperadores".

Por outro lado, Michael Galant, pesquisador sênior do Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington, D.C., acredita que Cuba pode estar aberta ao diálogo. "Cuba tem demonstrado interesse em aliviar as sanções. Não é que o país não esteja cooperando", afirmou. Galant sugeriu que temas como migração e segurança poderiam estar em pauta, mas ponderou que Trump não demonstra pressa em negociar. "Trump espera agravar a crise econômica na ilha, e não há grandes custos para ele em esperar", disse. "Não acredito em ações drásticas nos próximos dias, pois não há urgência para negociações."

Díaz-Canel reiterou nas redes sociais que "não há negociações com o governo dos EUA, exceto por contatos técnicos na área de migração".

O governo cubano afirma que as sanções impostas pelos EUA custaram ao país mais de US$ 7,5 bilhões entre março de 2024 e fevereiro de 2025.

Com informações da Associated Press.