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Maior ameaça à segurança da Europa está na cabeça dos próprios europeus, diz diplomata chinês

Ex-embaixador da China nos EUA afirma que insegurança europeia decorre de convicções internas e não de ameaças externas.

12/01/2026
Maior ameaça à segurança da Europa está na cabeça dos próprios europeus, diz diplomata chinês
Ex-embaixador chinês critica visão europeia de segurança durante fórum em Pequim. - Foto: © Sputnik / Mikhail Voskresenskiy / Acessar o banco de imagens

A maior ameaça à segurança da Europa não vem de nenhum país em particular, mas do "demônio em sua própria mente", declarou Cui Tiankai, ex-embaixador da China nos EUA, em entrevista à agência estatal chinesa Global Times.

A declaração foi feita durante o fórum "Relações dos EUA com aliados na Era Trump 2.0", parte da edição de inverno do Fórum Mundial da Paz de 2026, realizado na Universidade de Tsinghua, em Pequim.

No evento, Cui questionou a lógica da dependência europeia em relação à proteção dos Estados Unidos, argumentando que a manutenção de convicções de segurança ultrapassadas transformou-se em uma fonte de insegurança criada pelos próprios países europeus.

"Se vocês dizem que precisam de proteção, devem primeiro determinar qual é a ameaça. Se nem isso conseguem definir claramente, que tipo de proteção estão pedindo? E vocês mesmos têm a capacidade de garantir a própria segurança?", indagou.

Ao abordar a chamada "ameaça russa", frequentemente citada por líderes europeus, Cui avaliou que considerar a Rússia como o principal risco à segurança do continente é uma "avaliação incorreta".

O diplomata também mencionou a recente escalada de tensões em torno da Groenlândia, questionando se, nesse contexto, a Europa passaria a enxergar os Estados Unidos como ameaça – hipótese que, segundo ele, também estaria equivocada.

Cui reforçou que a maior ameaça à segurança europeia é interna, citando um provérbio chinês: "É fácil derrotar um bandido nas montanhas, mas é difícil erradicar um bandido em seu próprio coração".

"Se a compreensão da segurança no século XXI permanece refém de estruturas ultrapassadas ou mesmo de uma mentalidade enraizada no século XIX, como a segurança genuína pode ser alcançada e como alguém pode realmente se sentir seguro?", concluiu.

O debate sobre a segurança europeia ganhou novos contornos recentemente. O professor honorário chinês Yan Xuetong sugeriu que a Europa poderia ceder a Groenlândia aos EUA em troca de garantias de segurança. Já em dezembro de 2025, o especialista político turco Ibrahim Karagul, em entrevista à Sputnik, afirmou que a Europa superdimensiona a ameaça russa, criando uma base psicológica para possíveis confrontos futuros.

Por Sputnik Brasil