Finanças

Ministro da articulação política contraria chefe da Fazenda e diz que governo não discute ajuste fiscal

Executivo irá priorizar aprovação da PEC da Segurança e outras medidas

Agência O Globo - 27/10/2026
Ministro da articulação política contraria chefe da Fazenda e diz que governo não discute ajuste fiscal
José Guimarães - Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o governo não está discutindo um ajuste fiscal e que o tema não é prioridade do Executivo no Congresso até o final deste ano. A declaração contraria a posição do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou ao GLOBO na segunda-feira que o governo iria "adotar as medidas necessárias para estabilizar a situação financeira do país", após a reação negativa do mercado financeiro à reeleição de Lula.

Durante encontro da bancada do PT na Câmara dos Deputados em Brasília, Guimarães destacou que nas próximas semanas o foco será a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, a medida provisória que busca o fim das bets e a PEC da tarifa zero do transporte público.

— Esse assunto não foi discutido e nem está sendo discutido, e muito menos aqui na bancada — disse o ministro nesta terça-feira. — Não foi discutido no governo, não — acrescentou.

Na segunda-feira, Durigan anunciou que o governo Lula buscará a estabilidade, trabalhando a política fiscal com o objetivo de cumprir a meta de resultado primário e avançando na revisão das despesas obrigatórias, além de não prorrogar parte das medidas parafiscais adotadas ao longo do ano.

— Nós vamos adotar as medidas necessárias para estabilizar a situação financeira do país, incluindo dívida, juros e câmbio a médio e longo prazo. Vamos aumentar o superávit primário e estabilizar a dívida pública. Também vamos coordenar com o Banco Central para, na medida da autonomia do Banco Central, permitir a redução da taxa de juros — declarou. — Em relação às despesas, continuaremos com a revisão e controle de gastos obrigatórios — completou o ministro.

Desde a campanha, Lula é cobrado por garantias de um ajuste fiscal nas contas do quarto mandato. Durante a corrida eleitoral, não detalhou medidas, mas comprometeu-se a manter os gastos públicos equilibrados. Após sua vitória, o mercado reagiu negativamente. O dólar encerrou o dia com alta de 8,2%, alcançando R$ 5,40, enquanto a Bolsa caiu 13,88%, ficando em 176.608 pontos, a maior desvalorização diária desde março de 2020.

A disparada do dólar e a forte queda da Bolsa provocaram o acionamento do circuito breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em situações de oscilações bruscas, permitindo que os investidores reavaliem suas estratégias.

Pós a tensão do mercado, Lula se reuniu na noite de segunda-feira no Palácio da Alvorada com os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti.