Finanças
Boiocote a Mbappé: contratos encerrados com gigantes chinesas e perda de patrocínios; entenda a polêmica ligada a Mao Tsé-tung
Contas do jogador foram silenciadas nas redes sociais, e empresas encerraram contratos após comentários sobre um meme que parecia retratar o líder comunista
O jogador francês Kylian Mbappé enfrenta uma reação intensa na China após comentários considerados ofensivos a Mao Tsé-tung. A televisão estatal deixou de transmitir partidas do atacante, suas contas nas redes sociais foram bloqueadas e empresas encerraram contratos publicitários com ele. A polêmica começou após a divulgação de uma entrevista em que o atleta comentou um meme que parecia retratar o antigo líder chinês.
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A emissora estatal CCTV removeu anúncios com Mbappé, interrompeu a transmissão de partidas envolvendo o francês e apagou publicações relacionadas a ele de sua conta oficial no Weibo. A plataforma Xiaohongshu também bloqueou a conta do jogador após a repercussão dos comentários.
As contas oficiais de Mbappé no Weibo e no Xiaohongshu, ambas com cerca de 1 milhão de seguidores, receberam avisos de que haviam sido silenciadas por violar as regras das plataformas.
Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que palavras ou atos considerados ofensivos ao povo chinês inevitavelmente enfrentam ampla oposição da sociedade do país, e disse que a rejeição é “natural”.
Empresas encerram contratos e ações caem
As empresas de bens de consumo Eastroc Beverage Group Co. e China Mengniu Dairy Co., que contrataram Mbappé como garoto-propaganda, anunciaram o encerramento das parcerias com o jogador. Segundo a agência France-Presse (AFP), a fabricante de queijos Milkground também comunicou o encerramento imediato das parcerias com o francês.
Após a polêmica, as ações da Eastroc recuaram até 4,1% em Xangai, enquanto os papéis da Mengniu caíram cerca de 3% em Hong Kong.
A fabricante suíça de tênis On Holding AG também apagou todas as publicações relacionadas a Mbappé de suas contas nas redes sociais chinesas. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre os planos para a parceria de dez anos recentemente firmada com o campeão da Copa do Mundo de 2018.
Nem a Eastroc nem a Mengniu especificaram o que motivou suas decisões ou fizeram referência direta a Mao em seus comunicados.
Meme com referência a Mao provocou reação
Em um vídeo, perguntaram a Mbappé qual meme da internet envolvendo sua própria imagem o havia feito rir mais. Ele descreveu uma montagem que incluía um vídeo de um homem que, segundo disse, acreditava ser “um ditador chinês”, com seu próprio rosto sobreposto ao do indivíduo.
O jogador afirmou que costumava compartilhar o meme com amigos enquanto jogava on-line, mas não identificou a pessoa retratada.
O veículo de comunicação taiwanês ETtoday informou que a imagem retratava Mao. Montagens que circulavam na internet também pareciam mostrar o rosto de Mbappé sobreposto ao do líder comunista. Os serviços de verificação digital da AFP não haviam conseguido confirmar inicialmente a autenticidade do vídeo relacionado à polêmica.
Mao Tsé-tung liderou a revolução comunista e proclamou a República Popular da China em 1949. Sua figura continua sendo central na história do país e é oficialmente reverenciada pelas autoridades chinesas.
Memes que retratam Mbappé como um ditador circulam pelo menos desde a Copa do Mundo deste verão. O apelido acompanha o jogador há meses, e usuários sobrepuseram seu rosto ao de diferentes figuras históricas, muitas vezes em uniformes militares.
A controvérsia provocou críticas de usuários nacionalistas nas redes sociais chinesas. Alguns acusaram Mbappé de insultar a China e pediram um boicote às marcas associadas ao jogador.
O influente portal de futebol Dongqiudi afirmou que não traduziria as declarações do francês por considerá-las “ofensivas à China e ao povo chinês”.
Controvérsias anteriores já provocaram boicotes na China
Não é a primeira vez que uma controvérsia envolvendo comentários considerados ofensivos prejudica patrocínios e relações comerciais no país.
A Associação Nacional de Basquete (NBA) trabalha para reconstruir sua marca na China continental após um rompimento de vários anos provocado por uma publicação feita em 2019 por Daryl Morey, então gerente-geral do Houston Rockets, em apoio aos manifestantes de Hong Kong.
Empresas estrangeiras, incluindo a varejista sueca Hennes & Mauritz AB e a fabricante de artigos esportivos Nike Inc., também enfrentaram boicotes de consumidores chineses por comentários relacionados à região de Xinjiang.
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