Finanças
Após vitória de Lula, ações brasileiras despencam no exterior, com queda de até 27%
Derivativo de câmbio aponta para cotação do dólar a R$ 5,55. Papéis de XP e Itaú negociados no exterior desabam.
Os investidores se preparam para um dia de fortes oscilações nos preços dos ativos brasileiros nesta segunda-feira após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição contra Flávio Bolsonaro, o candidato de direita preferido pela maior parte do mercado financeiro.
Expectativa de queda: Lula terá de convencer o mercado e vai mirar centro da meta fiscal para conter gastos.
Ajuste no orçamento: O governo Lula precisará enviar ao Congresso ajuste de ao menos R$ 20 bi no Orçamento de 2027 para cobrir benesses eleitorais.
As primeiras indicações apontavam para uma forte derrocada: um ETF (índice de investimentos) que acompanha ações brasileiras negociadas em Nova York despencou 27% no pré-mercado. No Japão, a queda do ETF de ações brasileiras chegou a 16%, a maior perda intradiária desde 2020.
Um contrato de derivativos cambiais na bolsa CME indicava o real cotado a R$ 5,55 por dólar. Embora não seja uma indicação direta da cotação, esse movimento sugere uma queda de mais de 10% do real em relação ao fechamento de sexta-feira.
As ações negociadas nos Estados Unidos e na Europa de empresas com operações no Brasil registraram graves perdas. A XP e o Itaú Unibanco recuaram pelo menos 26% no início das negociações nos Estados Unidos, enquanto o Banco Santander e a Telefónica caíram mais de 5%.
Mesas de operações em São Paulo disseram esperar que as vendas sejam tão intensas na manhã de segunda-feira que os ‘circuit breakers’ possam ser acionados.
A corretora Monte Bravo estimou que o Ibovespa poderia despencar 11% na primeira hora de negociação em caso de vitória de Lula. Em uma pesquisa do Citigroup com 73 investidores, publicada na sexta-feira, a maioria esperava que esse resultado levasse a uma queda de pelo menos 5% do real, com as taxas de swap subindo mais de 1 ponto percentual, à medida que operadores desmontassem as apostas em cortes de juros acumuladas após Flávio Bolsonaro superar Lula no primeiro turno, no início deste mês.
“Vai ser um dia duro. O mercado vai reprecificar tudo o que foi prometido”, disse Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset Management, que administra R$ 1,1 trilhão em ativos. “Todo mundo foi pego de surpresa. Todos estão tentando entender.”
Lula, que na visão dos mercados dificilmente promoverá a austeridade fiscal necessária para reduzir os juros, obteve 51,79% dos votos no segundo turno, enquanto Flávio ficou com 48,21%.
Por ora, os investidores se preparam para o que Homin Lee, estrategista da Lombard Odier em Cingapura, chamou de reversão “inevitável” da alta que havia sido impulsionada pela vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
A corretora Monte Bravo estima que o índice de referência da Bolsa brasileira, o Ibovespa, possa cair mais de 10% na primeira hora de negociação.
Em uma pesquisa do Citigroup com 73 investidores, publicada na sexta-feira, a maioria esperava que a derrota de Bolsonaro levasse a uma queda de pelo menos 5% do real, com as taxas de juros futuros subindo mais de 1 ponto percentual, à medida que os investidores descartassem as apostas em cortes de juros feitas após Bolsonaro superar Lula no primeiro turno.
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Com a vitória de Lula, “espera-se que todos deem um passo atrás”, afirmou Cathy Hepworth, chefe da equipe de dívida de mercados emergentes da gestora de ativos PGIM, da gigante americana Prudential, que possui US$ 1,5 trilhão em ativos sob gestão.
“Haverá uma reprecificação muito significativa, talvez por um tempo. Mas ainda é o Brasil, e Lula é um animal político, então as coisas acabarão se estabilizando”, disse ela.
Guilherme Abbud, CEO da Persevera Asset Management, comenta que movimentos de queda costumam envolver mais pânico e ordens motivadas por emoções. “Lula poderia eventualmente adotar uma abordagem mais cautelosa em relação aos gastos públicos, mas é improvável que o mercado lhe dê o benefício da dúvida.”
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Os investidores, em grande parte, estavam posicionados para uma vitória de Bolsonaro, após a surpreendente liderança dele no primeiro turno das eleições, no início deste mês, que desencadeou uma forte alta e atraíram bilhões em fluxos estrangeiros, na expectativa de um aperto fiscal muito solicitado que permitiria a redução das taxas de juros no futuro.
Empresas como UBS Global Wealth Management, Morgan Stanley, JPMorgan Chase e Citigroup correram para emitir recomendações otimistas para os ativos brasileiros.
À medida que as pesquisas indicavam um segundo turno apertado, com Lula implementando uma série de medidas favoráveis aos eleitores e Flávio Bolsonaro anunciando medidas econômicas incongruentes, muitos começaram a reforçar suas estratégias de proteção para resguardar seus portfólios. Contudo, uma vitória de Bolsonaro ainda era vista como o cenário mais provável.
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Desde que retornou ao poder em janeiro de 2023, Lula tem buscado melhorar a vida dos trabalhadores brasileiros, impulsionando o consumo e prolongando a expansão do crédito. No entanto, ele fez pouco para lidar com o crescente déficit do país, que, segundo a maioria dos economistas, é a razão pela qual a nação tem algumas das taxas de juros reais mais altas do mundo.
Apesar disso, os mercados brasileiros seguiram, em última instância, um cenário positivo durante seu terceiro mandato. A taxa de desemprego caiu a níveis inéditos e a renda média dos trabalhadores cresceu.
As altas taxas de juros, embora restritivas para a economia, tornam a moeda atraente para investidores que buscam manter suas posições em um cenário de dólar mais fraco e afastamento dos mercados americanos, contribuindo para impulsionar os mercados emergentes de forma mais ampla.
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