Finanças

PGR apoia regra em discussão no STF contra pautas-bomba, mas quer limitar exigência de compensação

Parecer acolhe parte das objeções do Senado e rejeita que a regra valha só para leis futuras

Agência O Globo - 22/10/2026
PGR apoia regra em discussão no STF contra pautas-bomba, mas quer limitar exigência de compensação
PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a aprovação da proposta de súmula vinculante do ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, que torna inconstitucional a lei federal, estadual ou municipal que crie ou altere despesa obrigatória ou implique renúncia de receita sem estimativa de impacto orçamentário e financeiro.

No parecer ao STF, assinado pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, o órgão sugere, porém, mudanças no texto.

A principal alteração trata da compensação. A redação de Gilmar também exigia que a lei indicasse medidas compensatórias “nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal”. Para a PGR, a LRF não impõe um dever uniforme de compensar. No caso de benefícios tributários, por exemplo, ela admite como alternativa demonstrar que a perda de arrecadação já está prevista no Orçamento e não afeta as metas fiscais.

O texto sugerido pela PGR vincula a inconstitucionalidade à falta de estimativa e trata a compensação em frase à parte, como obrigatória só nos casos previstos em lei. O ajuste atende, em parte, ao Senado, que pediu a rejeição da súmula ou, alternativamente, a retirada da menção às compensações.

Por outro lado, a PGR rejeitou o pedido do Senado para que a súmula tenha efeitos apenas para o futuro, preservando leis aprovadas antes de sua publicação. O órgão também propôs deixar explícito que a estimativa deve ser apresentada durante a tramitação e corresponder ao texto votado, inclusive quando alterado por emendas.

Propôs ainda que a regra alcance a concessão, a ampliação e a prorrogação de benefícios tributários. Ficaram de fora o pedido das entidades de municípios para incluir a proibição de transferir encargos sem fonte de custeio e a sugestão da Advocacia-Geral da União (AGU) de exigir estimativas “fundamentadas e atualizadas”.

A súmula vinculante foi apresentada por Gilmar em junho, depois de se reunir com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, e com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para discutir as chamadas pautas-bomba que avançaram no Senado, entre elas o aumento do piso salarial dos médicos, a flexibilização das regras de aposentadoria de agentes comunitários de saúde e a renegociação de dívidas de grandes produtores rurais. Na época, Fazenda e Planejamento calcularam que as nove pautas-bomba em tramitação no Congresso teriam impacto fiscal de cerca de R$ 111 bilhões por ano.

A proposta deve agora ser incluída na pauta do plenário, como já determinou o presidente do STF, Edson Fachin. Para ser aprovada, precisa dos votos de dois terços dos ministros.